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Re-União 2017

A libido e o crime

April 9, 2017

Nosso mundo está um saco. E uma das causas é o controle da linguagem e do livre pensamento, que grande parte da nossa sociedade mediocremente acatou com a mais absoluta passividade. Este cenário de doutrinadores ideológicos, mentes doentes merece desprezo e nossa resistência. Prefiro os tempos da minha infância. Entro, então, no Re-União com dados autobiográficos que os politicamente corretos gostarão de odiar.

As mulheres não têm a menor noção do que é a libido de um homem de dez anos de idade. É algo torturante. Com essa idade se vive o drama da pobreza sexual eterna. Talvez isso não ocorra com todos, mas em mim a libido era massacrante. Existia a escola como tarefa principal, havia o lazer das peladas, a paixão já latente pelo meu clube de futebol, o Maracanã ficava perto e ao alcance, sempre se conseguia algum adulto para me facilitar a entrada imprópria para crianças. Mas o sonho do primeiro ato sexual era o mais forte. Tentativas frustradas ficavam  marcadas por frases que machucavam, humilhavam, “sai pra lá moleque”, “você não passa de um fedelho”, isso dava a dimensão da distância entre o sonho e a realidade.

Mas tinha que haver uma saída. Cada dia que passava a vontade se potencializava. Mas um homem com dez anos de idade não se entrega, não assume derrota, não enterra um sonho. Jamais. Eu questionava, por que as mulheres não entendem que é uma necessidade de vida ou morte? – Custa fazer uma caridade? – Lembrando tempos anteriores, com uns seis, sete anos, passava o tempo todo matutando um jeito de me comunicar com alguma mulher e convencê-la. Era sentimento corrente no imaginário das crianças que não deveríamos pedir demais, que pedir “só um pouquinho” seria um approuch convincente, de ação rápida, ninguém ia ver e não causaria incômodo. Futuramente todos aprendem que esse apelo era fraco; nunca se deve oferecer só um pouquinho a uma mulher. O outro argumento que também passava pela cabeça era pior ainda, “eu prometo que boto só a cabecinha”. Esses argumentos eram tidos como bons para conquistar a confiança do alvo. Mas qual criança sabia que era exatamente o contrário?

Saindo dos seis, sete e voltando para os dez anos, período desta ação. Evolução zero na arte da sedução. Papos de adultos sobre a zona do baixo meretrício davam um alento, mas e o dinheiro?, e o medo? – Todo papo pescado nas conversas dos adultos vinha permeado com as doenças venéreas. E naquela época fantasiavam muito. O medo era maior do que o desejo, pois a tal de “crista de galo” exigia que o médico introduzisse um ferro na uretra até a bexiga e puxasse a pele toda. Só de ouvir a dor era espetacular. E o cancro, que exigia o mesmo procedimento? – Gonorrea, nome científico, não é palavrão, não assustava tanto, pois falavam que tinha remédio. Mas o papo brabo era crista de galo e cancro. E sempre havia uma história envolvendo alguém que outro conhecia. A inclusão de uma vítima credenciava as estórias. Puta que pariu, o que restava para salvar uma criança tão carente, se a Zona, única esperança, também era um risco de morte? – O cara que perdeu o pau por causa de um cancro mal curado também esteve em várias estórias. Apavorante demais.

Mas desistir, nem pensar. Eu morava em um prédio na Tijuca que fechava a portaria às dez da noite. Apagavam todas as luzes e ninguém entrava depois desse horário. Era quando as empregadas que trabalhavam no prédio voltavam  da escola, o terceiro turno.  Era a chance que restava. Eu e um colega, tão sedento quanto eu, passamos a monitorar a volta  das empregadas da escola. –  A escolha não era um problema, eram todas feias, muito feias. Esse detalhe é mais triste que o crime. De uma dezena delas, selecionamos uma e esperamos com paciência o dia que ela chegasse sozinha. Volto a dizer, era muito feia. E essa noite chegou. Se fosse bonita, talvez nos intimidássemos, a mulher bonita intimida até um adulto, imaginem uma criança. Ana era o nome dela. De tanta tocaia e planos para o ataque, guardar o nome da vítima foi natural. Ao longo da vida sempre me lembrei dessa aventura e o nome dela nunca deixou de surgir da memória. Lembro-me perfeitamente do rosto, mas escolho não fazer a descrição.

Mas o problema não estava resolvido. Currar uma mulher com sucesso tem suas exigências. O ataque foi executado como planejado. Mas a execução foi uma vergonha. Se tivéssemos levado a Ana para a escada, a missão seria alcançada. Mas a pegamos no elevador. E no elevador faltou um componente imprescindível, a altura que nos parelhasse com ela. Era mais alta, e se recusou a cooperar abaixando-se um pouco; pelo contrário ficou na ponta dos pés. Nós também, um da cada lado, mas nossos pés não nos alçavam à altura suficiente para o encontro, digo para o encaixe. O “sai moleque” também soou no elevador; e acabou que ela começou a rir ao invés de gritar por socorro. Uma derrota que humilha e faz o guerreiro guardar a espada com resignação.

 Hoje os garotos não pensam em mulher. A exposição é farta demais. Em um dos seus livros, acho que “Quincas Borba”, Machado de Assis foi  ousado ao descrever uma cena de grande apelo sensual, uma mulher puxa o vestido e mostra o pé. É mais ou menos isso. Muitos vão achar que fiz uma confissão inconfessável para os dias de hoje. Que nada, inconfessável deveria ser a doutrinação que os esquerdopatas fazem em defesa da pedofilia.

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