© Todos os direitos reservados

Re-União 2017

O Brasil está Salvo

April 9, 2017

 

Nesta semana o Trump mandou seus mísseis se divertirem na Siria. Seus árduos defensores, a chamada “Alt-Right” (um nome novo e chic para a extrema direita) estão decepcionados e confusos. Não era isso o que entendiam por “nacionalismo”. Seus detratores (basicamente todos os Democratas e o resto do mundo), também não estão entendendo nada (porque gostaram da medida). Mas não, esse não é um artigo sobre Trump, seus amigos e inimigos. A notícia mais importante para nós, brasileiros, não veio da “pátria mãe”, ou “matriz”, como dizia o Paulo Francis. O que ocorreu de mais importante na última semana foi aqui mesmo, no Brasil. E não tem nada a ver com a Lava-Jato, a reforma da previdência nem com estripulias do Dória, o menino de ouro que colocou na moda novamente o termo “gestão”, tão celebrado na década de 90  (quando Ricardo Semler falava lé-com-cré).

 

A notícia mais importante da semana, do ano (talvez dos últimos 10 anos!), foi a divulgação de uma pesquisa pela Fundação Perseu Abramo (uma dessas instituições ligadas ao PT, CUT e turminha gauche) que, no afã de criar “material revolucionário” e encontrar no seio popular uma insatisfação contra os ricos, a “burguesia”, os “exploradores do capital”, foi às ruas perguntar ao povo o que ele achava disso tudo aí, ou seja: o Estado, os políticos, a burguesia, os exploradores, etc. Mas eis que a Perseu Abramo, como aquele advogado criminalista que não se preparou para a audiência e pergunta pra testemunha sem a segurança prévia da resposta, também ela, Fundação, acabou quebrando a cara. Pois a pesquisa, largamente divulgada pela Direita brasileira (mas SO-LE-NE-MENTE ignorada pela grande mídia), constatou o que muitos de nós desconfiávamos mas, como bom criminalista, tínhamos medo de perguntar, com receio de que a resposta não fosse a que queríamos. Estávamos enganados. Estávamos, na verdade, cautelosos demais. Amigos, a resposta não poderia ser mais animadora. O povo respondeu exatamente como achávamos que responderiam. Vejam que umas das principais conclusões da pesquisa, para desespero da própria fundação, diz textualmente o seguinte:

 

“Para os entrevistados, o principal confronto existente na sociedade não é entre ricos e pobres, entre capital e trabalho, entre corporações e trabalhadores. O grande confronto se dá entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes.”

 

Bingo!

 

Meus amigos, essa frase é a nossa libertação. Essa frase é o que ainda pode dar esperança a esse país desesperançado. Não é o Moro, a Lava Jato, o Dória gestor, a reforma da previdência, a retratação do Jose Mayer que irá nos salvar. O caminho da nossa salvação está na frase acima. Ele mostra que o povo sabe muito bem quem é seu inimigo. Mostra que não é preciso explicar, doutrinar a população sobre as benesses do capitalismo. Ela já sabe! Vejam essa outra conclusão da pesquisa:

 

“Todos são ‘vítimas’ do Estado que cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou “sufocar” a atividade das empresas.”

 

Bingo 2 (com mais emoção)!

 

Estávamos procurando a pedra sagrada e lá já estava aí, enlameada na periferia de São Paulo, onde a pesquisa foi encomendada. A pedra sagrada estava ali, pronta pra ser encontrada. Já temos a matéria prima necessária a nossa redenção. A consciência de que o Estado é o problema, não nossa salvação, está absorvida, pronta pra ser cultivada e para tornar-se nossa bandeira.

 

Mas se o povo já sabe disso então porque não conseguimos nem que a grande mídia divulgue essa notícia alvissareira? Porque isso não se torna o coração e força propulsora de nossa mudança? Porque isso não vira o business plan do próximo líder messiânico? Agora, tenho que recorrer ao Raymundo Faoro, o intelectual do lado de lá do muro, que dizia algo assim: “No Brasil, o povo é melhor enquanto povo do que a elite enquanto elite”.  Nunca concordei tanto com Faoro. Nosso problema, como constatado na última eleição municipal para prefeito em São Paulo e Rio de Janeiro, é que a zona sul carioca e a zona oeste paulistana não quer capitalismo. Ela quer auto-flagelo e assistencialismo. Ela quer ir na Casa do Saber e fazer um curso chamado “O pós capitalismo e a Sobrevivencia do Humano”. O que???? Nós não chegamos no capitalismo ainda no Brasil e eles querem falar do pós capitalismo??

 

Amigos, a nossa verdadeira e grande revolução está próxima e só depende de nós, a elite. Só falta apenas nos unirmos e gritarmos, em uníssono: “Ensinem capitalismo nos Santa Cruz, na FGV e na Casa do Saber”.  E como num passe de mágica e num strike de misseis do Trump faremos uma debacle no seio de nossos verdadeiros inimigos: os amigos que nos rodeiam.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

Ode aos babacas

December 5, 2019

1/10
Please reload

Arquivo
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square