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Re-União 2017

Eram tempos difíceis

April 22, 2017

 

 Gosto dos filmes brasileiros  dos anos 70, das  cenas externas, de ver as cidades, os carros, o modo de viver dos brasileiros dos ‘tempos da ditadura’. Gosto de ver o Paulo César Pereio bancando o conquistador e o Tarcísio Meira interpretando um vilão.

Cresci em São Paulo, no bairro do Alto de Pinheiros, reduto de jornalistas, artistas, políticos e subversivos. Meu pai, filho de italianos, com seus olhos azuis e cabelos claros, tinha amigos negros, gays, brancos, lésbicas, judeus e árabes. Todos conviviam muito bem entre risadas e copos de cerveja no bar do sujinho do viaduto Major Quedinho, tudo sem preconceito, pois havia um respeito entre o modo de ser de cada um. Mas eram tempos difíceis.

 

No rádio Zilomag AM do Fusca ‘meia-oito’ do meu pai ouvíamos Pink Floyd, Emerson, Lake & Palmer, Caetano, Fagner e até Geraldo Vandré.  Na Tv preto e branco de seletor giratório, tínhamos  o Henfil  e o Chico Buarque e nas bancas, pendurava-se o Pasquim no lado de fora para a leitura dos transeuntes. Eram tempos difíceis.

 

Na Vila Buarque, conhecida como “Boca do Lixo” víamos as pessoas passeando com seus Dodges e Galaxys de motor V8  e na Av. Paulista,  ficava o Sargentelli sorridente em frente à boate Oba-Oba recebendo turistas estrangeiros. Aos  sábados, pegávamos o ônibus da CMTC, azul e branco e com cinzeiros nas poltronas, porque naquele tempo era permitido fumar e íamos até o centro da cidade passear  no Mappin e ver as ofertas das vitrines coloridas da Rua direita, pois não haviam assaltos e nem o risco de morrer pelas mãos de um bandido adolescente amparado pelo Direitos Humanos. Eram tempos difíceis.

 

Hoje  assistindo aos filmes brasileiros dos anos 70, observo saudoso  as pessoas rindo na praia, falando na gíria, fumando baseados e imitando os trejeitos dos personagens do Chico Anysio.  Naquele tempo  éramos livres para falar e fazer o quem bem quiséssemos  e isso tudo em plena ditadura militar, sem que algum agente oculto da patrulha do politicamente correto nos importunasse. Jamais vimos alguém sendo preso ou nenhum tipo de

perseguição ao cidadão, quem era preso era bandido ou terrorista. Eram tempos difíceis.

 

Naquela época  os juros eram baixos e não haviam os impostos escorchantes que vemos hoje, as pessoas podiam fazer planos para o futuro sem medo que suas economias fossem corrompidas por governos ineficientes e corruptos em conluio com bancos. Jamais eu ou meus pais sentimos algum tipo de opressão ou medo de perder a vida ou mesmo de ser incriminado e julgado sem direito à defesa no  tribunal popular das  redes sociais. Eram tempos difíceis.

 

Mas quando fecho os olhos e recordo  tudo isso,  sinto que algo dentro de nós morreu, sinto que vivíamos a plena liberdade mas não dávamos valor à ela. Hoje minha preocupação está em não ser assassinado por um delinqüente juvenil  e   torço para não ser  linchado na rua pelo simples fato de eu ser um micro empresário, um latifundiário urbano, um monstro capitalista, segundo a interpretação dos intelectuais da mídia democrata.

 

Hoje a rádio não toca mais Pink Floyd, os carros são de plástico e o Chico Anysio morreu; o cidadão de bem  perdeu a esperança no futuro, rir em público se tornou ofensivo e o cinema brasileiro virou bastião do esquerdismo latino, patrocinado na maioria das vezes, com o dinheiro dos contribuintes.

Ainda bem que vivemos uma  plena democracia.

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