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Re-União 2017

Caiado pisa na bola ao aderir à narrativa petista e pedir "Diretas Já"

April 23, 2017

O senador Ronaldo Caiado (DEM) decidiu dar um lance arriscado a aderiu à narrativa criada pelo PT focada em pedir "Diretas Já", que nem de longe estão previstas na Constituição.

 

Em nota na qual anuncia rompimento com o governo, ele diz: "A crise brasileira, nesses termos, mostrou-se, mais que econômica, mais que política, institucional. Os três Poderes padecem de profunda falta de credibilidade para solucionar a crise; a sociedade não se sente representada por eles -e não confia nem chancela as propostas que lá tramitam, em busca de soluções. A saída —e venho sustentando isso desde os tempos em que ainda se discutia o impeachment— é zerar o jogo, com novas eleições gerais, que restabeleçam a sintonia entre o povo e as instituições."

 

Segundo o senador, é preciso seguir o que ele define como "exemplo britânico". Leia mais, a partir das palavras do próprio senador: "O exemplo britânico aí está. É preciso grandeza cívica para abdicar do conforto de mandatos e posições de influência. Disponho-me pessoalmente a fazê-lo, mesmo tendo sido eleito para um mandato de senador, de oito anos, que nem sequer chegou à sua metade. O desconforto maior, no entanto, é integrar uma instituição cujo descrédito cresce a cada dia e já não tem meios de cumprir suas mais elementares tarefas".

 

Em seguida, ele inventa novas regras para dizer que "temos que ter eleições diretas de qualquer jeito", o que na verdade é aquilo que o PT vem pedindo há tempos: "Este Congresso ou não terá meios de fazê-las ou, se as fizer, as verá rejeitadas pela sociedade, aprofundando a crise. Só o batismo purificador das urnas —aqui como no Reino Unido ou em qualquer democracia— propiciará solução pacífica e civilizatória. Os que se apegam a formalismos alegam que a periodicidade das eleições é intocável. Ora, intocável é o interesse público, afrontado por uma conjuntura em que as instituições já não o representam. Se todo o poder deve emanar do povo (parágrafo único, do artigo 1º da Constituição) e não está emanando, então é o próprio país oficial que incorre em inconstitucionalidade. Às urnas!"

 

Não surpreende que a blogosfera petistas esteja aplaudindo Ronaldo Caiado de pé neste momento. As eleições diretas marcadas de imediato são tudo aqui o que o PT mais exige nos dias que correm.

 

A razão para isso é que a direita vive atualmente numa fase que podemos definir como colapso de narrativas. Muitos tem perdido a capacidade de entender que o PT implementou um projeto totalitário de poder no qual a corrupção foi um dos meios. Surgiu a narrativa dizendo que o projeto totalitário de poder não é o mais relevante, com tudo se resumindo à corrupção. Com isso, ficaria fácil dizer que "todos são iguais". 

 

Para o PT, este tipo de narrativa confusa adotada pela direita é o paraíso na Terra. Assim, este é o pior momento para pedir Diretas Já, que nem de longe estão previstas na legislação. Logo, se for para inventar novas regras, elas deveriam atender a interesses dos grupos envolvidos no jogo, mas os únicos interesses a serem atendidos agora são os do PT. 

 

Com a direita confusa e bradando "todos são iguais", Lula encontra terreno fértil para crescer politicamente, mesmo com tantas delações lançadas contra ele. Será preciso que os influenciadores da direita se unifiquem e quebrem a narrativa MFT ("movimento fora todos") e evitem que os piores crimes do PT sejam acobertados. Ou seja, será preciso trocar a narrativa dizendo que "todos são iguais" pelo apontamento dos fatos, isto é, passando a deixar claro que o PT tem como diferencial negativo o projeto totalitário de poder e que exatamente por esse motivo levou a corrupção à uma escala inédita. Em suma: é quase o inverso da narrativa que diz que "todos são iguais". 

 

Enquanto a narrativa propondo que "todos são iguais" estiver sendo proferida, o PT vai levando vantagem e inclusive colocará uma boa parte da direita para prover capital político para os totalitários de modo inconsciente. Assim, é o pior negócio do mundo ter eleições neste momento em que a direita promove uma narrativa útil para o PT. Talvez seja preciso de 5 ou 6 meses, no mínimo, para que influenciadores de direita se organizem para quebrar a narrativa que pede "fora todos". Uma coisa é certa: não é algo que se faz do dia para a noite. 

 

Ao requerer as eleições diretas já, não importa quais motivos Caiado alegue: é mais um serviço para o PT. Pelo menos podemos sugerir que é um serviço involuntário. Mas não podemos deixar de puxar sua orelha por isso.

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