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Re-União 2017

A triste violência

April 26, 2017

 

 

Eu já dei tapa em mulher e levei de volta. No meio da raiva de uma discussão estúpida, vem a ânsia de um bater no outro.

Mas é essa agressividade que mede o tamanho de nossa saúde mental. Vivemos estressados, no limite. E aí tendemos a repetir certos comportamentos que aprendemos na infância.

Acho que muito da violência, nasce dentro da própria família, falo com experiência pessoal. Tem gente que diz “eu sou bem-educado, respeitoso e não pego droga por causa da vara de marmelo.” Pensa assim quem não entende nada. 

 

O castigo físico derrota a criança e cria nela um sentimento de revolta, por causa da submissão imposta com crueldade. E pode criar limitações, no futuro, cortando a coragem necessária para enfrentar os riscos de viver. Eu apanhei muito, quando criança. E como era teimoso e desafiador à autoridade, quanto mais era castigado, mais ressentido ficava, urdindo vinganças. Me lembro certa vez, quando levei uma surra da nonna, com um cinturão militar. 

Então rasguei meu rosto com as unhas, olhando odiento para ela, misturando as lágrimas com o sangue que escorria das feridas abertas. Minha avó ficou observando com ironia aquele martírio auto-inflingido. Fiquei anos com cicatrizes no rosto. E na mente.

 

Olhando para trás sinto pena daquela senhora que mal sabia escrever seu próprio nome, vinda de navio numa 3a.classe, fugindo de uma Itália empobrecida e sem escola. Na casa de meus avós, que me criaram, tudo se resolvia com ameaças e imposição de força. Órfão, sobrevivi vendo como meus tios disfarçavam seus sentimentos e sensibilidade, fingindo de machões violentos, com medo talvez de que desconfiassem da sua virilidade.

Poveri, brutti e cattive. Até hoje, se alguém diz brincando “vou te dar uma porrada, hein?” eu fecho meus punhos em reflexo e me preparo para o combate.

 

Apanhar não me fez melhor. E aí vem uma contradição: são as mães, normalmente, que ameaçam com gritos, castigando seus filhos. Que depois de adultos, cometem a mesma violência contra quem? Contra as mulheres, que são as mais fracas. E contra as crianças. O ciclo dessa desgraça neurótica se repete e repete. Bem, paro por aqui. Os psicanalistas de plantão, que nos dêem suas doutas opiniões. Eu só contei uma historinha.

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