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Re-União 2017

Ao ficar acima do jogo sujo de Lula, Moro esmagou o bolivariano sem precisar lutar

May 12, 2017

A extrema-esquerda pode relinchar o quanto quiser - especialmente reproduzindo aquele vídeo das considerações finais de Lula, no qual ele se "exalta" e exige a apresentação de provas -, mas não é possível negar a realidade: o conteúdo do depoimento, em termos políticos, também foi um desastre.

 

Por exemplo, Lula alcançou o feito negativo de ser exposto como um monstro moral por ter jogado a culpa dos crimes nas costas de Dona Marisa. Uma evidência de que este frame incomodou a petezada está na revolta de alguns blogs da extrema-esquerda dizendo que Lula é “vítima de acusações de ter jogado a culpa em Marisa”. Nada feito. Ele jogou a culpa nas costas de Marisa e não será moralmente perdoado por isso.

 

Boa parte do esforço narrativo do PT foi simular que haveria um embate entre dois projetos de poder, o de Lula e o de Moro. Porém, apenas um lado oficializou o confronto (o de Lula) e, pior, apareceu ao público como líder de milícias que só não tocaram o terror em Curitiba por estarem sob extrema vigilância.

 

Lula se estrepou principalmente pela superioridade moral e tática do juiz, que em todo depoimento é que ele não caiu nas armadilhas, mesmo que Lula tenha tido a oportunidade de soltar todas as suas bravatas. A guerra de frames é parte fundamental da guerra política e alguns podem ter a impressão de que o melhor caminho seria Moro ir para a batalha de rotulagens com Lula. Nada disso. Naquele momento Moro havia implementado o melhor dos frames, o de que ele estava acima das narrativas políticas naquela sala.

 

Depois desta quarta, restará a Lula ser condenado por alguém que já foi percebido pela opinião pública como o executor da função fria de um juiz. Qualquer tentativa petista de reclamarem de “perseguição política” pode ser rebatida com o questionamento: “então você está acusando Sérgio Moro de ser corrupto, vendido ou esbirro de algum partido?".

 

Esse mero questionamento é capaz de transformar a narrativa petista em pó. Se colocarmos Moro no centro do processo condenatório, estaremos reforçando a mensagem de que a luta de Lula não é contra a um projeto alternativo de poder, mas contra a lei. Não vai adiantar falar que Moro “não gosta de ver pobre andar de avião” pois isso não vai colar, principalmente depois das imagens mostrando o juiz levando uma quentinha feita por sua esposa enquanto Lula chegava em Curitiba de jatinho.

 

O desastre petista desta quarta transcendeu a sala do depoimento, mas se viu nas ruas de Curitiba. A polícia estimou cerca de 4 mil milicianos na concentração e 7 mil por toda a cidade. Depois do anúncio de que quase 100 mil petistas estariam em uma cidade de quase 2 milhões de pessoas, concentrar apenas 4 mil é coisa para retirar do currículo de militância de uma vez por todas.

 

A coisa deve estar tão feia que muitos petistas podem até estarem torcendo para Lula ser condenado em segunda instância o mais rápido possível, isso apenas para reterem algum elemento de narrativa futura em seus discursos e só, mas isso também pode ser combatido pela evolução do discurso de direita e pelo aumento de conscientização de que a extrema-esquerda é o inimigo fundamental, cujas falhas morais insuperáveis devem ser expostas.

 

Não tenha dúvida de que o PT continuará com a narrativa de que Lula é vítima de perseguição, mas, uma vez que a condenação caia sobre sua cabeça, esse discurso implicaria necessariamente que Moro fazia parte da tramoia. E isso não vai colar com grande parte do Brasil. Podemos esfregar isso na fuça dos petistas principalmente depois da aula de serenidade dada por Moro diante de Lula.

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