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Re-União 2017

Europa, a terra dos hipnotizados. Estão matando as crianças inocentes. Até quando?

May 25, 2017

MANCHESTER SE MOSTRARÁ UMA UNITED CITY?

 

 

O trocadilho foi inevitável. Dois dos maiores clubes de futebol da Europa são de Manchester e carregam a cidade em seus nomes, Manchester City e Manchester United.

O atentado ocorrido anteontem na cidade nos mostrou mais do mesmo. Terrorista ligado ao Estado Islâmico, nascido no país alvo e radicalizado nas entranhas do que ocorre nas comunidades islâmicas e todos sabem, mas poucos tem coragem de admitir em público.

 

O que chocou desta vez foi o alvo: um show de uma estrela teen mundial em ginásio lotado de crianças. Uma bomba explodiu logo após o final da apresentação justamente no momento em que a aglomeração é maior para a saída da arena.

 

O artefato repleto de pregos com a intenção de provocar o máximo de ferimentos graves naqueles que não viessem a morrer foi o requinte de crueldade. Ver as fotos com  os rostos das crianças vítimas da barbárie foi uma tarefa impossível de se finalizar. Quem é pai, mãe, avô, avó, tio, tia, padrinho ou madrinha sabe do que estamos falando.

 

Uma questão inquietante me veio à mente. Quando se dará o momento de ruptura, se é que virá, da civilização ocidental com a barbárie islâmica?

 

Confesso que pensei que seria no episódio do atentado do ano passado na Normandia quando dois terroristas invadiram uma igreja em plena missa e degolaram (degolaram!) o padre Jacques Hamel, de 84 anos.

 

As atrocidades cometidas por grupos terroristas islâmicos mundo afora não nos chocam quando cometidos em solo que não o ocidental. Todos acham um absurdo mas poucos se indignam quando um atentado terrorista ocorre no Iraque como quando ocorre em Paris, Londres ou Nova York.

 

A cruel execução do padre me pareceu que seria o tal ponto de ruptura, afinal estava se escancarando que o que está ocorrendo é sim um choque de civilizações.

 

Samuel Huntington, em seu icônico artigo na revista Foreign Affairs, em 1993 afirmou:

 

“Minha hipótese é que a fonte fundamental de conflitos neste mundo novo não será principalmente ideológica ou econômica. As grandes divisões entre a humanidade e a fonte dominante de conflitos será cultural. Os Estados-nações continuarão a ser os atores mais poderosos no cenário mundial, mas os principais conflitos da política global ocorrerão entre países e grupos de diferentes civilizações. O choque de civilizações dominará a política global. As falhas geológicas entre civilizações serão as frentes de combate do futuro”.

 

Após a grande repercussão deste artigo, Huntington solidificou sua tese no livro “Choque de Civilizações e a Reconstrução da Ordem Mundial”, leitura obrigatória nas escolas de Relações Internacionais.

 

Mas não. A decapitação do padre, em plena missa e em solo francês não foi suficiente para acordar o Ocidente sobre o que nos cerca. O politicamente correto, o medo quase pueril de se mostrar uma pessoa “sem sentimentos” e uma letargia mental difícil de se explicar, têm transformado o Ocidente em uma presa fácil para os planos jihadistas islâmicos.

 

Após esse evento tivemos atentados por atropelamentos em Nice, Tel Aviv e Berlim, além de alguns esfaqueamentos. Evidente que eventos tão “banais” como esses não gerariam mais do que dois ou três dias de notícias na mídia e depois passariam para a categoria desimportante de estatísticas do terror.

Mas o que ocorreu em Manchester atinge um novo patamar. “Matar crianças infiéis não é crime” , divulgou o grupo Estado Islâmico um dia após o atentado.

 

Agora mexeram com quem nos são mais caros, nossos filhos. Por quem seguramente a esmagadora maioria de nós dariam nossas próprias vidas para protegê-los.

 

Que Manchester torne-se uma “United City”, saindo do lugar comum de vigílias, coroas de flores, abraços em monumentos e revoada de pombas brancas ao som de Imagine. Se não por nós, por nossos filhos!

 

Coexistência é uma via de mão dupla e deve ser desejada por ambas as partes envolvidas. Ou o Ocidente acorda definitivamente para a importância que a situação exige, saindo dessa letargia quase hipnótica, ou o pior sempre ainda estará por vir.

 

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