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Re-União 2017

Um obituário desejado:Sarney

June 10, 2017

José Sarney. Corrupto master, eleito para o Senado por um Estado que nunca foi sua residência. Duvido que tenha, urinado, defecado, cuspido no chão do Amapá uma única vez na vida. Felizmente, como todos nós, um dia Sarney também vai morrer. Acho. Já passa dos 87. Mas antes ele merece ser cobrado pelo custo de todas as placas que mandou colocar nas ruas, avenidas e repartições da capital do Maranhão. Quando um turista pede informação a um transeunte local o caminho mais curto para seu destino, ouvirá a seguinte explicação, dois pontos.

 

O senhor pega a rua José Sarney, e aponta, depois segue duas quadras, você verá à direita o hospital Municipal Sarney de Araújo, é o pai do Zé Sarney, esclarece; não pare, siga em frente, quando chegar numa rua mais larga, não é rua, é a Av. José Sarney; aí você atravessa, dobra à direita; mandei você atravessar que é pra ficar do outro lado da calçada, e entra na rua seguinte quebrando à esquerda, é a Rua José Sarney, segue em frente e quando passar na Escola Estadual Marly Sarney, mais um pouco à frente você vai ver uma creche pública, creche... creche... creche Kiola Sarney (a mãe do presidente, lembrou), passando a creche, não pare, continue firme na mesma direção, uns duzentos metros à frente você vai ver o prédio da Secretaria de Finanças (só poderia ser de finanças); esse prédio também é Sarney de Araújo.

 

O turista fica confuso, pergunta se não pode pegar outro caminho mais curto; não, responde o transeunte, que é eleitor da Roseana Sarney, e trabalha na repartição que coordena a distribuição de remédios e equipamentos hospitalares; o informante, meio confuso, coça a cabeça, pensa e continua; bem, quando o senhor chegar na, na, onde é que eu estava mesmo, ele também se confunde, ah! em frente à Secretaria de Finanças. Dessa vez é o turista que coça a cabeça, olha pra baixo, bate no ombro do maranhense de boa cepa, e diz "já sei, aqui no Maranhão é só seguir o Sarney", o transeunte deu um riso largo, mostrou dentes tratados, de um bem aquinhoado funcionário público maranhense, estendeu o sorriso de satisfação mais um pouquinho, devolveu o tapinha no ombro do turista, e esse seguiu em frente.

 

Quem me contou essa estória foi um amigo de São Paulo, mas com um epílogo que não pode deixar de ser lembrado. Quando ele deixou o hotel reparou que o carro foi pulando de Sarney em Sarney até chegar no aeroporto José Sarney.

Depois de descer em Congonhas meu amigo fez algo que nunca fizera na vida, foi olhando todas as placas, a cada rua que deixava pra trás sentia um alívio imenso. Até a Rua Consolação; lá chegando subiu as escadas em disparada (ele mora no primeiro andar), correu para a biblioteca (nem beijou a esposa, que ficou em alerta), cata aqui, cata ali, até que achou, escondido entre um Paul Valéry e Madame Bovary , "Os marimbondos de fogo".

 

Pegou o livro que alçou o master maranhense à ABL, fez o caminho de volta para a rua (ele precisava voltar para pegar a mala que esquecera no corredor do térreo, uniu o útil ao agradável), procurou um latão de lixo e arremessou com toda Fé a obra que um amigo sem sensibilidade literária o presenteara no aniversário. Mas antes teve o cuidado de arrancar a página com a dedicatória, que, identificada em um sebo de rua qualquer ia compromete-lo.

 

Esse é o labutante Sarney, o outro imperador do Amapá. Meu amigo bufava enquanto me contava essa estória.

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