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Re-União 2017

E agora João Doria, o que você fará?

June 14, 2017

O QUE SOBROU PARA JOÃO DÓRIA?

A grande história política desta semana foi a decisão da cúpula do PSDB em ficar na base de apoio do Governo Temer e segurar o impopular presidente.

Essa decisão expõe um grande racha dentro do PSDB, que já não era lá um partido muito unido.

 

 De forma geral, se tinha uma grande disputa, até o fim do ano passado, entre um grupo de velhos tucanos liderados por Aécio Neves e um grupo de velhos tucanos liderados por Geraldo Alckmin, com um terceiro grupo, de Serra, cada hora jogando charme para um dos lados. O prêmio buscado por todos era a cabeça de chapa na disputa presidencial de 2018.

Podemos ainda falar em duas aulas jovens distintas dentro do partido: uma ala social-liberal, representada por jovens deputados formados dentro da juventude do partido, normalmente filhos de velhos caciques, e uma ala social-democrata europeia mais vermelha, com um bordão engraçado (PSDB: esquerda pra valer). Ambas as alas não se dão muito bem.

Até o aprofundamento da Lava-Jato, Aécio Neves dava as cartas. Contudo, com os recentes escândalos, ficou evidente a prevalência de Alckmin, reforçada pela grande vitória eleitoral em 2016 em todo o Estado de São Paulo, enquanto Aécio acumulou derrotas vexatórias no seu estado.

A decisão de ontem, de certa forma, pacificou a disputa e unificou a ala antiga do partido em nome de Geraldo Alckmin. Aécio Neves capitulou. Geraldo Alckmin sabe que não é páreo, em paridade de armas, com o fenômeno Bolsonaro dentro do campo anti-petista. Portanto, ele precisará de toda a máquina estatal possível para poder ter viabilidade em 2018.

O acordo desta segunda passa exatamente por isso. Alckmin, que já tinha o apoio de PSB, PP, PTB, PPS e PV, passou agora a contar com o apoio do PMDB e do DEM. Sua chapa está ficando fortíssima. Ele trocou a viabilidade presente de Temer pela sua viabilidade eleitoral no ano que vem.

As alas jovens do partido, tanto a social-liberal quanto a "esquerda pra valer", não aceitaram esse acordo e estão em processo de racha com as alas tradicionais, podendo até mesmo vir a sair do partido, ainda que isto tenha sido descartado pelo Presidente interino tucano, Tasso Jereissati, em entrevista ao Globo ontem.

Essas alas, mas principalmente a ala jovem social-liberal, possuem, inclusive, um candidato preferencial à Presidência da República: o prefeito de São Paulo João Dória (a esquerda pra valer curte o inviável Serra).

Com seu sucesso recente, Dória, que era um afilhado político de Alckmin, passou a ser cogitado para uma candidatura presidencial. Nos primeiros dois meses do ano, o preifeito negava peremptoriamente qualquer chance de ser candidato a Presidente. Sabia que a vez era de seu padrinho, Alckmin, além de ter uma eleição certa, provavelmente em primeiro turno, ao Governo de São Paulo em 2018.

No entanto, seu discurso foi claramente mudando ao longo do tempo, e chamou a atenção do Palácio dos Bandeirantes, que começou a soltar notas em colunas políticas de grandes jornais, como Estadão, Folha e Globo, dizendo que o Governador estava incomodado com a nova postura do prefeito. Dizem que a viagem para Nova Iorque foi a gota d'água na relação entre Dória e Alckmin, onde Dória realmente lançou sua candidatura presidencial.

O que Dória não esperava era um contra-ataque institucional tão bem feito quanto o que Alckmin lançou. Ao se tornar o fiador do Governo Temer, Alckmin se tornou o candidato da máquina pública e isolou Dória, inclusive partidariamente e até mesmo na Câmara de Vereadores de São Paulo.

No cenário atual, Dória está tão queimado com Alckmin que eu duvidaria até mesmo que ele hoje tivesse força para ser candidato a Governador pelo PSDB, quiçá Presidente. Alckmin está ferido. Se sente traído, com toda a razão.

Então, o que resta para Dória?

A primeira opção, mais prudente, é baixar a cabeça e sua bolinha, retornar ao seio do grupo político que o levou a prefeito de São Paulo e se tornar o mais fiel dos alckmistas, torcendo para que, com o tempo, Alckmin releve a traição, considerando-a um lapso de julgamento, e conceda a Dória a chance de ser o candidato tucano ao Governo de SP. Na possibilidade de o nome de Alckmin acabar sendo enrolado igual ao de Aécio na Lava-Jato, o que acho improvável, ele então se tornaria o candidato presidencial, mas esse é um tiro muito distante. Se nada der certo, ele pode simplesmente continuar na prefeitura e ser reeleito em 2020.

A segunda opção é jogar com os rivais históricos de Alckmin em São Paulo. Kassab e seu PSD possuem interesses conflitantes com o PSDB pelo menos em três grandes estados (SP, RJ e PR) com candidatos viáveis aos respectivos governos (o próprio Kassab, Indio da Costa e Ratinho Jr). O PRB também possui agenda própria, tem batido chapa contra os tucanos na capital (Russomanno) e estão aliados ao PSD nos três estados. Se Dória realmente acha que está aberta uma janela de oportunidade para ele ser o candidato em 2018, o PSD, um partido muito parecido com Dória, diga-se de passagem, mais que o próprio PSDB, seria um destino perfeito, mas em um cenário de traição a seu criador. Dória conseguiria certamente trazer consigo a dupla PSD/PRB. Além disso, consigo ver outros partidos médios e pequenos dialogando com essa chapa, como PR, PSC, PODE, PROS, PSL/Livres, PRP e PMB. Seria um golaço para Dória, para esses partidos, e daria a Dória um discurso de oposição, já que o candidato situacionista seria Alckmin. Restaria saber se esses partidos teriam a coragem e a altivez de romper com o Governo Temer para a construção dessa candidatura independente.

A terceira opção, menos provável, seria uma ruptura total com o atual establishment político, o que dificultaria muito seu governo municipal atual, para uma candidatura presidencial pelo NOVO. No entanto, sequer sei se o partido possui interesse nele, já que o NOVO tem sua própria lógica de funcionamento, muito diversa dos partidos tradicionais, e talvez não se ajustasse a tamanha e tão independente estrela.

O que será feito, somente o tempo irá dizer.


Abraços,
Bernardo Santoro.

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