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Re-União 2017

Adeus, mais uma vez.

July 7, 2017

Encontrei uma mulher. Ou melhor, ela me encontrou, eu vinha distraído.

Parou então na minha frente e disse olá! e eu fiquei ali meio que pensando quem é essa mulher?

Ela tinha um sorriso travesso, divertido, imagens me vieram lá do passado e eu acho que sorri também.

Me percebendo meio perdido ela pegou nas minhas mãos e ficou me examinando de perto, parecendo curiosa, me olhando nos olhos.

Os sorrisos de tanta gente sorrindo passavam em vertigem pelo computador preto e branco da minha memória, se superpondo em rostos instantâneos na urgência de botar um nome naquele rosto que eu conhecia mas não conhecia.

 

Ela disse que bom te encontrar! e aí então eu já contava com um sorriso e uma voz. Continuava trabalhando dentro da minha cabeça quem é ela? Nem quando ela disse seu nome, suavemente, sem forçar nada, eu consegui acordar direito.

E aí a foto de uma menina linda me chegou à mente.

Oi, meu amor! eu consegui falar, já me lembrando e eu apertei as mãos dela, estávamos ali de volta.

E foram caindo, esvoaçando levemente, as lembranças dos nossos encontros, de um amor que podia ter dado certo e que tinha enlanguescido, não sei mais porque.

Você está bem, querido? que bom te encontrar! Reparei que ela tinha agora os cabelos brancos, o mesmo jeitinho com um lenço de seda vermelho amarrado no pescoço, uma presilha com pérola, talvez.

 

E nós dois nos abraçando na cama, fingindo paixão arrebatada. E ela saindo de debaixo das cobertas para fazer um chá para nós dois, pisando descalça pelo chão de ladrilho da cozinha, enquanto eu ligo o fogo e nós estamos lá, rindo e esquecendo que podíamos ter lembrado de botar um roupão, chinelos. Biscoitinhos, a xícara quente e um olhando o outro, em ternura, sentados na beirada das cadeiras.

 

Bem, estávamos agora ali no corredor branco de um hospital, ela explicou que ia visitar uma amiga e eu fui buscar uns exames, que segurava em minha mão, o grande envelope ainda fechado.

Aí disparamos a falar coisas que amigos antigos falam, com aquelas promessas de não vamos nos perder, hein? sabendo que sim, iríamos nos perder.

Nos despedimos dando beijinhos no rosto, ela ainda usava o mesmo perfume que eu gostava.

Eu não disse adeus! enquanto nos afastávamos, cada um para seu destino.

Mas sim, era adeus.

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