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Re-União 2017

Registro Akáshico

July 10, 2017

Os pescadores sabem que o mar reflui e depois volta. Tem a ver com

a lua, o movimento planetário.

Aceitamos a maré como algo imutável, esse conhecimento faz parte da nossa rede neural, o DNA.

Está tudo contido em nosso registro akáshico, como ensina o hinduísmo. 

As marés acontecem e vão continuar, mesmo depois de acabada  de acabada a existência física do ser humano neste mundo. O homem simplesmente se ajusta ao ciclo das marés, aprendendo a conviver com elas.

 

Deveríamos aprender outras coisas da natureza, também. A mais importante, é morrer como as borboletas, as plantas. Se nasce para morrer. 

 

Essa inevitabilidade é dolorida, muito difícil de admitir. Toneladas de livros foram escritos sobre essa inexorabilidade. A cultura é só uma especulação continuada sobre a morte. As religiões, os mitos foram construídos em torno da mesma indagação transcendente. E enquanto especulamos, o medo Dela faz o homem experimentar todas alternativas para tentar sobreviver o máximo tempo possível neste mundo desconhecido. A luta pelo poder, pela dominação. As guerras.

 

Imagino o processo de morrer como uma escada rolante. Vamos sendo transportados para cima até sermos projetados no incognoscível. Não adianta tentar descer os degraus em movimento, atropelando os outros. Vai-se indo inevitavelmente para aquele patamar de desconhecimento lá em cima.

A filosofia trata disso em palavras e teorias sofisticadas. As religiões falam da

fé, das orações e da submissão a um Deus imaginado que é dono de todas as opções nesse nosso caminho para alcançar o Nada. 

 

Seria inteligente se nos dispuséssemos a conviver em consolo mútuo neste nosso trajeto, pois sabemos onde nossa espécie vai dar, igual como acontece com todas as formas de vida. Até as estrelas acabam, explodindo em buracos negros. Mas tomados por um distúrbio mental, uma obnubilação dos sentidos, matamos indiscriminadamente o vizinho, a mulher, os filhos, como demônios enlouquecidos na tentativa fazer morrerem só os outros. Somos todos Cain. 

 

Enquanto isso, os degraus da escada rolante continuam a subir, enchendo os cemitérios de corpos inúteis. O homem não vai aprender nunca. Nem eu.

Está difícil aceitar a morte de um grande amigo, hoje, nesta manhã friorenta. Preciso aprender a ouvir minhas próprias palavras.

 

Renato, meu velho: que o akásh, céu ou paraíso, seja tua nova casa. 

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