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Re-União 2017

O estado dentro do Estado.

July 22, 2017

Já dizia Leonel Brizola, em 1982, que a Rede Globo era ‘o Estado dentro do Estado.’
Brizola, que sabia das coisas, tinha lá suas razões para essa afirmação.

 

Logo após retornar do exílio imposto pela ditadura militar, era candidato ao governo do Rio de Janeiro, justamente contra um candidato das casernas.


A Globo o perseguia implacavelmente, e durante a campanha eleitoral manipulou e distorceu dados do Ibope, apoiando um golpe de aliados do governo militar, que planejava adulterar os  resultados das urnas.

 

A população, desconfiada, vai as ruas, o golpe é descoberto. Brizola é eleito.


Essa é apenas uma amostra das façanhas da Globo, que durante mais de meio século foi a eminência parda da república, com um poder político muitas vezes maior do que o do próprio presidente.


Roberto Marinho jamais disfarçou seu entusiasmo pelo regime militar, que apoiou mesmo antes de março de 1964.


Em 31 de março de 1964, após a derrocada do governo de João Goulart, e a Marcha da Familia com Deus pela Liberdade, com meio milhão de pessoas nas ruas,os militares tomam o poder.


Roberto Marinho, em sua emissora, chama o golpe de
"revolução democrática."


A TV Globo foi ao ar oficialmente pela primeira vez em 26 de abril de 1965, mas Marinho já operava com televisão em 1962, quando se associou ao grupo Time Life (operação ilegal pela legislação da época, que não permitia capital estrangeiro em empresas de telecomunicação).
A maracutaia injetou na empresa de Roberto Marinho US$ 6 milhões, que permitiu o início da criação da maior empresa de telecomunicações brasileira,
e a destruição de seus concorrentes.


Para se ter uma ideia, a Tupi, maior TV brasileira então, que havia iniciado suas 
atividades em setembro de 1950, operava com um capital de apenas US$ 300.000.


A Globo foi denunciada e condenada pela trambicagem, que incluía igualmente a contratação de um diretor americano, condição exigida pela Time pra liberar a grana. 
Marinho empurrou com a barriga, e mais tarde acabou sendo perdoado pelo
governo militar, que apoiava.


O governo militar investiu pesado em telecomunicações.

A TV não era considerada por eles como entretenimento, mas como ferramenta de integração do país, o que os interessava.


Roberto Marinho, definido muitas vezes mais como um ladino empresário do que como jornalista, servia como uma luva ao governo militar:em 1992, por exemplo, nos picos de audiência, 99% dos aparelhos de TV estavam ligados na Globo.


Era o instrumento perfeito para a manipulação do povo.


Na época, o publicitário Washington Olivetto afirmou que o povo brasileiro já não falava português, e sim o "tv globês",numa referência ao enorme poder da Globo.
Olivetto disse ainda que a Globo havia criado um "país dentro de um país".


A ilha da fantasia que se via nos noticiários da Globo, portanto,não tinha nada a ver com o Brasil real.


A história (e as façanhas nada republicanas) da Globo durante 55 anos é longa, em sua busca pelo controle governamental, riqueza e poder.


O fim da ditadura a enriqueceu ainda mais, e aumentou seu poder.


Basta lembrar que em 15 de janeiro de 1985, horas depois da confirmação de sua vitória, Tancredo Neves, eleito presidente, almoçou com Roberto Marinho e Antonio Carlos Magalhães, ficando combinado nesse almoço que ACM seria Ministro das Telecomunicações,o que realmente ocorreu, nomeação concedida por Sarney após a morte de Tancredo.

 

Sarney, que havia sido fundador da Arena, partido do regime militar, mais tarde distribuiu 90 concessões de afiliadas da Globo pelo país entre amigos e apoiadores do regime militar, ficando com duas para si mesmo, numa manobra pouco antes da lei que impedia o presidente desse ato entrar em vigor.
ACM foi contemplado também com algumas, ilegalmente.


Essas concessões permanecem até hoje.

 

Hoje, quando vemos a campanha que a Globo faz, descaradamente,contra Temer, o que se percebe é que a Globo jamais abandonou sua tendência e inclinação governista.


Pelo contrário. Ao perceber a ameaça ao seu totalitarismo (a Lava Jato e a delação de Palocci) age exatamente como é de seu costume:
-manipulando a opinião publica e forjando fatos.


Entretanto, não estamos mais em 1964.


Vamos esperar que finalmente a Globo encontre um adversário à altura.
E que finalmente acabe esse "Estado dentro do Estado."

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