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Re-União 2017

Dúvidas, ao quadrado.

August 17, 2017

Nos tempos de colégio interno, um que nem o Dória seria vítima de dois sentimentos.

 

Inveja, por ele ser tão certinho, sempre com boas notas, elogiado pelos professores.

 

E desprezo, de pura raiva, pois nós éramos do fundão da classe, sempre azarando as aulas.

 

Se não fôssemos de gerações tão diferentes e tivéssemos estudado juntos, diria que o Doria sempre seria o primeirão da classe e eu...um dos últimos. 

 

 

À nós, do fundão, restava assobiar gozativamente nas cerimônias de fim de ano, jogando chicletes na cabeça dos pais convidados, sentados adiante, e que viravam a cabeça para trás incomodados, nos reprovando raivosamente. Como que dizendo “vocês não vão acabar bem.”

Quem logo se aprumou na vida? Os Doria, com sua aplicação diligente e esforçada - ele batalhou muito, desde a infância. E nós, os outros, depois de sair do colégio ainda andávamos bobeando pelas bordas da sociedade sem decidir definitivamente entre o certo e o errado. Demoramos para decolar na luta pela sobrevivência. Custou entender que não adiantava bater de frente com o status-quo.

 

Com o tempo nos transformamos, de marginais em contestadores das regras sociais. Só depois de um longo caminho viramos uma espécie de cidadãos úteis, por nosso espírito inconformado. Nós, os da contra-mão, ganhamos espaço por pensar fora da caixinha. Descobrimos as vantagens da rebeldia intelectual, de ser criativos, contrários ao politicamente correto. “Quadrados”? nunca.

Já os Doria aprenderam muito antes de nós como tirar proveito do seu jeito normalzinho, pragmático. Foram, de certa forma, mais inteligentes dos que nós. E, logo depressa souberam alcançar sucesso de público e de grana. Eu não quero ser injusto com o Dória. Ele parece que está indo muito bem como prefeito.

 

Discordo fortemente dele quando se afirma à favor da Lei do Desarmamento. Desconfio quando diz conseguir tantas obras de graça. Me desagrada o marketing contínuo que ele faz de si mesmo - até no infeliz desbaratamento da Cracolândia, então tomada pelos drogados. E agora expulsos para bairros próximos. O Doria, acho, está "over".


Me pergunto se o cabelo dele bem cortado, gravata impecável e sorriso condescendente são sinais de quem tem a intenção de lançar-se como presidente. Não descobri o que o Doria pretende em sua campanha permanente de sedução dos que desconfiam de todos os políticos. Aliás ele se classifica  de gestor, dizem, por sugestão do Alckmin, um político.

 

Me preocupa, sim, sua visita ao antisemita Emirados Árabes, um dos grandes promotores da imigração muçulmana - e um dos financiadores de sua queridinha Hillary Clinton. Principalmente agora em tempos da absurda Lei da Migração.

 

Apesar dos acertos do Doria, estou de orelha em pé.  E penso que essa minha reserva instintiva seja porque não esqueci do quanto os políticos são capazes de mentir à nós, cinicamente.

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