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Re-União 2017

Época de arrependimentos.

August 23, 2017

 


Tive dias melhores em meu passado. É o que parece, reavaliando as coisas. Do que me arrependo? O que poderia ter feito ou deixei de fazer ? Perguntas que agora me trazem tanta inquietação. Me acho culpado por todos os desvios de rota em minha vida, por erros de julgamento que cometi no passado. O que me faz sentir tão frustrado que nem consigo dormir direito? Como agora, neste momento?  


Acho que minha insegurança não vem só dos livros que não escrevi, dos filmes que não fiz, do sucesso que não tive. Podia ser algo assim, um problema existencial, individual. Mas não é o caso.


Meu abatimento, acho, é que passei demais tempo da minha vida sem me ligar no coletivo, no social, no político. Não tive consciência dos outros, do alheio. Quis para mim coisas, valores pequeno-burgueses de uma geração alienada, fui andando meio cego, só enxergando  meio metro na frente. Disso eu me arrependo. Da prepotência e da ignorância.


Meio que me sinto como um judeu que decidiu ficar na Alemanha enquanto o país se nazificava -  e eu sem querer acreditar na catástrofe que se aproximava. É dessa inconsciência de que falo. Não me toquei dos giros cíclicos que foram  acontecendo no mundo, deles só participando como espectador distraído. Que nem um soldado japonês na 2a.guerra que aceitou sem discutir a idéia de ter um imperador-Deus. Ou um russo que não acreditou na iminência da invasão militar alemã. Um brasileiro que dormiu risonho e franco enquanto o crescia e se espalhava como câncer em metástase. É disso que estou falando.


Vejo, nestes dias, a Venezuela vizinha que se deixou tomar pelo castrismo comunista. E parece que esse perigo está armado para nós, brasileiros, sem que eu me sinta capaz de fazer muito para mudar o rumo do meu país, da minha vida. Não me toquei à tempo. É também minha a culpa que o Brasil tenha chegado a tais abismos de corrupção, decadência. Olho para trás e jogo cinza em cima da cabeça, em sinal de tristeza pela minha paralisia  passada. Estamos todos assim, num estado de infelicidade asfixiante.

 

Meus filhos vão pagar um preço por eu ter acordado tardiamente.

Talvez, penso ás vezes, eu deveria ter ido embora daqui, enquanto podia.

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