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Re-União 2017

Cotidiano sem paz.

August 31, 2017

 

 

Acordei ainda sonolenta, despertei de vez com as notícias dos jornais: nova gravação mostra Joesley negociando 50 milhões com Temer! Não duvido que ele e todos os seus apadrinhados pratiquem o roubo, mas descarto a leitura. Esta gente não acredita em ideais, só em conchavos e propinas.

 

Quero amanhecer com um pouco de Paz, todos nós queremos...


Estou no meu "território habitual": um apê de tamanho médio, mobiliado simplesmente e com um monte de esculturas minhas. Olham-me como censurando: terá este mundo podre da política deixado espaço para a arte? Para os sonhos e a esperança?


A raiva fervilha dentro de mim, ansiando por sair, por xingar esta cambada de corruptos sem nobreza...e eu não gosto disso! Prefiro ligar-me a forças positivas e construtivas, desvelar uma realidade em que os justos estejam unidos, ou postar esperança de mudanças- mas está cada vez mais difícil...Como se neste país só pudéssemos ser sem caráter e venais para "vencer na vida". Uma pessoa de bem tem poucos ouvintes, como se fosse quase imoral ser "correta" pois assim será tachada de 'trouxa e ingênua".
Chegou-se ao limite do detestável, os honestos rareiam e sinto-me uma culpada sem culpa.


Admitamos que pela lei da lógica seja possível mudarmos esta mentalidade, mas alguém pode ter certeza que é possível, que o povão que vota errado deseja isso, e não vantagens imediatas como a Bolsa Família , o auxílio desemprego, etc? A "lei da ética" será de fato a " lei do povo"? Quando os políticos falam mentira não será que este povo finge acreditar por interesse?


Tomo o meu café da manhã, sempre excessivo e regado a chocolate quente. Estômago cheio sinto-me confortada e 1 quilo mais gorda, além de privilegiada por poder ter este luxo.
Vou ao quarto e visto o meu jeans e tênis e saio à rua com o meu doguinho. Companheiro ideal porque não fala de política. Nesta avalanche de decepções constantes parece que vivemos como se a vida não estivesse a ser cumprida, mas já condenada... Não me conformo.


Chuvisca. Ontem  um dia maravilhoso como se fosse verão, hoje frio: São Pedro é bipolar e esta sua bipolaridade manifesta-se sobretudo em São Paulo.

 

Encontro uma criança que olha o meu Nic fascinada e pergunta se pode acariciar, se não morde. Digo que não. O seu sorriso para o cãozinho reconcilia-me com o mundo, doce, tão doce. As palavras meigas que lhe pronunciou também. Continuo o meu passeio mais reconfortada: é para dar um mundo melhor para crianças como esta que lutamos e venceremos.


Nuvens cerradas deixam passar um pálido raio de sol, que se fixa numa árvore num dourado pálido, como se até São Pedro concordasse comigo e mandasse um raio de esperança.... O alarido dos pássaros está no seu apogeu, o gato sonolento do vizinho acorda e desvia do meu cão que late, e como late.

 

Caminho até uma pracinha e sento- me num banco de pedra debaixo de um eucalipto que tem um frescor que me refresca as narinas. Tem canteiros bem podados, floridos e um chafariz de mármore cinza. O som da agua jorrando suavemente acalma, divago em sonhos, até que um pássaro invisível solta um pio estridente, agoniado, e volto à minha realidade.

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