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Re-União 2017

Biruta de aeroporto tem que se mexer.

September 15, 2017

 

Quer conhecer um homem sábio? Então encontre alguém que negue ser um iluminado. Que admita saber nada, quase nada. Eu não cheguei a esse nível de sapiência e humildade. Mas estou treinando, todos os dias, admitindo mais e mais minha ignorância.

 

Por exemplo: eu deixei de ler a Veja, uns meses atrás, porque desconfiei da revista. Aceitei a ideia de que ela tinha se vendido à "esquerda”. E cancelei minha assinatura. Mas nesta semana tinha uma Veja jogada no hall do meu prédio, com o endereço de alguém que estava viajando. Então, sem remorsos, peguei a revista. E li. Foi a publicada em 13 de setembro. Fiquei abestalhado.

 

Três matérias de capa, tremendas. Uma sobre o Palocci e sua delação arrasadora. Outra sobre os segredos da JBS, uma autópsia sem anestesia das estratégias dessa empresa do mal. E a delação do Funaro. Em cada página me esperava um convite turístico pelos infernos da corrupção que o país está enfrentando. Uma leitura que devia ser proibida para depois das 11 da noite, denúncias de arrepiar os pelos do braço. E não deixar dormir.

 

Bem, tenho duas possibilidades, agora. Admito que errei em meu julgamento. Ou pode ser que a revista tenha mudado a sua posição editorial.

Mas o que fica é: Veja abriu fogo pesado contra os que danaram esta nação, aleluia. Provando que a vitalidade da revista está intacta, ácida, nuclear. Portanto,  meio de rabo baixo, volto para a Veja. Discretamente, vou pedir uma nova assinatura. Mea culpa. 

 

Eu acho que a Globo também está diferente, nestes dias. Está se colocando mais nítida, especialmente a Globo News, nas reportagens e comentários sobre o desmonte, a derrocada do pt e seus partidos cúmplices.

 

É difícil, nesta época, ser leitor ou telespectador. Ou ouvinte de rádio. Estamos sempre como que soldados numa batalha, encolhidos dentro de uma trincheira. Tiros, vem de todos os lados. Distinguir o amigo do inimigo pede, de cara, resignação. Sabemos que nunca vamos empunhar totalmente a bandeira da vitória. Mas nosso dever nos obriga a um julgamento diário, um escrutínio continuado, desconfiando de todos.

 

Quer dizer: credibilidade tem que ser tratada que nem biruta de aeroporto. Ela vive se mexendo, para a direita e para a esquerda.

Achar que não tem vento e deixar de prestar atenção nela, pode levar à ingenuidade e ao desastre. 

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