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Re-União 2017

A Alemanha ainda sente culpa

September 17, 2017

 

Fui para Berlin, ano passado, visitar meu filho Zeno, que mora lá faz quase 3 anos. Eu só tinha ido a Munich, antes, quando fui rodar um comercial. Me senti desconfortável, ainda o avião. É que eu li demais, vi filmes demais sobre o III Reich, o Holocausto, o Nazismo. Já sobrevoando Berlin, me sentia como um GI engatilhando meu fuzil Garand para entrar em combate. 

 

Vou pular a descrição de Berlin. E o impacto que teve em mim. Resumidamente: eu pensava que conhecia o primeiro mundo, tendo morado em NY. Besteira: descobri que Berlin é o lugar onde eu viveria meu resto de vida. Andei pela ruas seguro, livre, feliz. 

 

O que queria é contar como foram as duas semanas de conversas que tive com o Zeno e sua namorada Anna-Lena, que é uma arquiteta alemã. Falamos muito - ou melhor, eu falei - dos tempos da Guerra. E recorrentemente, dos judeus, do preconceito, do Holocausto. Inevitável.

 

Mas descobri que para os jovens esses temas não são pauta de conversa. O  esforço de desnazificação da mente germânica no Pós-Guerra funcionou tão bem que o assunto foi jogado quase definitivamente para o lado. 

 

Tentando ser casual, toquei no assunto dos refugiados islâmicos. Outra barreira: a Merkel criou um muro alto em torno da questão. A pergunta feita é: "que fazer, humanamente falando, quando milhões batem na fronteira da Alemanha, implorando por asilo político? Há que aceitá-los e acreditar que gradativamente os muçulmanos se agregarão ao modo de viver alemão, certo?" Mas...pacificamente? perguntei. A conversa, entendi, estava tocando em áreas muito sensíveis, de preocupações não resolvidas. Ou sequer encaminhadas. A palavra “terrorismo” ficou boiando o ar. 

 

Devia ter mudado de assunto. Mas disse que a Alemanha devia ter um sentimento de culpa tão intenso, por causa das barbaridades cometidas contra os judeus, que agora a Nação se rendia aos muçulmanos - sem esboçar um gesto de defesa. A Alemanha, dessa maneira resignada, estava destinada a ser a cabeça de ponte para a invasão muçulmana de toda a Europa - que então desapareceria. E fui por aí, inclusive enfatizando que se eu fosse alemão, votaria por Exército tão poderoso como o dos velhos tempos, para proteger as fronteiras e o país.

 

A Anna-Lena então respondeu calmamente. Disse que meu ponto de vista era também o do seu pai, que via o esfacelamento da Alemanha, ela rendida agora a uma social-democracia alienada do verdadeiro patriotismo alemão.

Olhei o Zeno, que se mantinha silencioso, sei que ele respeita as posições da Merkel. De certa forma, ficou a caricatura que contrasta o “conservadorismo” dos mais velhos e o “esquerdismo esclarecido” da juventude. Um impasse que não iríamos resolver facilmente. 

 

Só digo uma coisa: minha simpatia pelo pai da Anna-Lena, que lamentei não ter conhecido, aumentou enormemente.

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