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Re-União 2017

Alemanha sem futuro

September 17, 2017

 

Ontem precisei pegar um trem e pude observar algo deveras perturbador: a Alemanha não tem futuro.

 

A certa altura da viagem entrou no trem uma turma enorme de estudantes. Jovens alemães que pela aparência e dito nas conversas teriam entre 18 e 19 anos. A maioria composta por homens. A turma com a animação típica da juventude começou a discutir sobre a política atual e sobre seu primeiro voto.

 

Muito felizes e convictos de que tudo no país anda as mil maravilhas, que a política alemã está no caminho certo, seguindo o trilho humanitário e da justiça social. Quase todos declararam que votarão em Angela Merkel. Exceto duas vozes dissonantes que disseram votar no outro candidato socialista, o Martin Schulz, o Lula alemão. Até aí tudo bem, já era esperado.

 

Depois da discussão sobre o voto e as benesses do governo de Angela Merkel, começaram a tecer comentários sobre o partido AfD - Alternativ für Deutschland o único partido que poderia colocar fim à sandice alemã, esta, já conhecida de outros gelados carnavais.

 

Sandice que leva a seguir cegamente líderes nefastos, que coloca não só o país em situação delicada mas também leva à instabilidade de todo o continente europeu e mundo ocidental.

 

Adjetivos conhecidos não faltaram à turma engajada com o bom e velho humanismo europeu: AfD, partido de "nazistas, fascistas, islamofóbicos, racistas, reacionários e nacionalistas“, portanto, perigosíssimo à "robusta" democracia alemã ( aquela que está para conferir 16 anos de poder a uma mesma senhora medíocre e autoritária. Eis o modelo da nova democracia permitida! ).

 

Repetiram como papagaios adestrados com "Wurst und Weißbier" que o AfD constitui uma obscenidade política, representando tudo aquilo que o cidadão deve banir e repudiar. Ficaram exaltados ao bisar frases conhecidas, jargões ordinários sobre a ligação do único partido que defende incondicionalmente Israel, a proteção dos judeus na Alemanha e sua semelhança com o desprezível nazismo de Hitler.

 

Mal sabe esta patota descolada que o tal partido "nazista" (AfD) tem basicamente o mesmo programa político-eleitoral que tinha o partido de Angela Merkel (CDU) trinta anos atrás. Foram estas propostas apresentadas que levaram ao poder a União Democrata-Cristã de Merkel & Cia. Estas propostas são praticamente as mesmas que hoje defendem o famigerado, o hediondo e desprezível AfD. Era o CDU da Chanceler Angela Merkel um partido nazi-fascista e nós não fomos informados?

 

Não, ele não era e nem nunca foi nazista, mas hoje o partido dela flerta com as mesmas políticas autoritárias de Adolf Hitler, decoradas, obviamente, com roupinhas cheias de coraçãozinhos e pôneis coloridos.

 

A máquina propagandista tornou o Estado-Hippie alemão - que levanta bandeiras do humanismo paz & amor como se estivesse em alucinação plena com o uso reiterado de LSD - em um estado sem medida, que tudo pode em nome de seu pseudo-idealismo. Esta megamáquina censura e persegue opositores para depois demonizá-los. Se antes demonizavam os judeus, hoje demonizam o próprio alemão dissidente das ideias e do partidarismo pró-Merkel.

 

Nenhum daqueles jovens saberia dizer algo sobre este detalhe: o CDU e AfD já tiveram o mesmo projeto de governo e ambos defendiam os valores que tornaram a Alemanha uma grande potência econômica, política e cultural.

 

Nenhum daqueles jovens que eu ouvia estupefata proferir idiotices criadas para a manutenção de uma casta política deletéria, ousou pensar no futuro e sobre o que será dele, caso a torta democracia alemã se incline ainda mais para o autoritarismo e humanismo do século XXI - tão cantado em verso e prosa pelos nossos caridosos socialistas.

 

Naquele momento pude perceber que a Alemanha está prestes a ser declarada morta. Sua juventude que, em tese, poderia trazer esperanças para mudar o triste cenário europeu foi cooptada pelos velhos humanistas alemães que conhecidamente têm outros projetos para o mundo. É a história se repetindo para aqueles que com ela nada aprenderam.

 

Neste sentido, o Brasil, mesmo com seus inúmeros problemas, ignorância e miséria político-institucional tem parte de uma juventude que já não segue a propaganda do establishment, está disposta a varrer as promessas do tal "mundo melhor" e dar uma chance ao que realmente funcionou na humanidade.

 

Para ela não há lugar para a repetição de experimentos fracassados, que por sinal já nos arruinaram.

 

Estamos em fase de pré-reconstrução e a Alemanha está em fase de franca demolição.

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