© Todos os direitos reservados

Re-União 2017

Arte de animais

October 1, 2017

 

Em agosto de 2007, um artista costa riquenho, Guillermo "Habacuc" Vargas participou de uma bienal na Nicarágua.


O projeto apresentado ao publico por ele, que mais tarde causaria polêmica, se inspirou na morte de um imigrante nicaraguense, Natividad Canda Mayrena, de 24 anos, devorado por dois cães rottweilers numa oficina de Cartago.


Com essa ideia genial na cabeça, "Habacuc", de 32 anos (que tirou seu apelido de um profeta bíblico "porque soa bonito"), montou sua instalação.


A obra foi composta basicamente de cinco elementos: o hino sandinista de esquerda tocado ao contrário, um incensário onde se queimaram pedras de crack e maconha, comida para cachorro, biscoitos que formavam a frase "Você é o que você lê".
E um quinto elemento.
O quinto elemento era um cachorro doente que ele havia recolhido da rua, amarrado num canto.

 

O cachorro não foi tratado e nem alimentado enquanto durou a performance.

Seu nome -batizado pelo suposto artista- era Natividad.

 

O caso, evidentemente, gerou polêmica. Ativistas de direitos dos animais tentaram interferir, mas o que se soube é que "Habacuc" deixou o animal, já muito doente, morrer de inanição à vista do público.


O caso gerou revolta, e a própria galeria nicaraguense que o promoveu, a Códice, ao se ver atacada, nebulosamente inventou uma história afirmando que o cachorro havia fugido da mostra após 3 dias e desaparecido.
Sua diretora, Juanita Bermudez, entretanto, se negou a dar entrevistas.


Rosa Montero, jornalista do el País, importante jornal da Nicarágua, publicou uma matéria indignada a respeito, onde afirmou:
'"A repugnante montagem de "Habacuc" reabre as questões dos limites da arte, ou, como sob a desculpa do feito artístico, se podem cometer todo tipo de abuso que em realidade somente busca chamar atenção (...)"

 

No centro da polêmica, "Habacuc", um débil mental, reafirmou sua mediocridade: vagamente afirmou, numa nota, que "Natividad morreu, os meios foram cúmplices".


E entrega sua intenção, ao produzir não uma instalação artística, mas uma aberração ética destinada aos holofotes da mídia:
"O pior que pode acontecer com uma obra é não produzir nada no espectador. Por isso a obra não terminou no sentido de que seguem falando dela".

 

"Habacuc", por linhas enviesadas, ironicamente acertou.


Mas a notoriedade que conquistou, deixando um animal morrer de fome, com o pretexto de fazer arte, de nada vale.
É apenas um descerebrado que eventualmente teve apoio de uma galeria e curadores igualmente farsantes.

 

O mérito é todo de Natividad, o cachorro.


Em "Habacuc" não existe mérito, apenas uma doença mental que jamais será curada.


Nos perguntávamos aqui se haveria limite para esse tipo de "arte".


Já sabemos a resposta. Não existe, enquanto existirem habacucs e quem os apoie.

 

Fonte: G1, O Globo

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

O poder paralelo

November 16, 2019

1/10
Please reload

Arquivo
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square