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Re-União 2017

A diferença entre o que foi dito e o que foi escrito na entrevista de Olavo de Carvalho

October 15, 2017

 

Confesso que quando li a entrevista “Olavo de Carvalho, o guru da direita brasileira que rejeita o que dizem seus fãs”, feita por Flávia Tavares, publicada pela revista Época, ontem sexta-feira 13 (outubro de 2017), gostei muito. Na verdade, adorei!

 

Sem saber nada sobre a jornalista em questão, me perguntei por que alguém escreveria uma matéria que contradiz à si mesma, já que todas as fontes e informações citadas pela moça contradizem sua peça desrespeitosa e difamatória. Cheguei a simpatizar com a autora de tal entrevista imaginando que talvez, por exigência do trabalho, Flávia Tavares tenha se prestado a tal papel, mas tomando o cuidado de se auto refutar no mesmo texto. Ledo engano.

 

Eis que o intelectual cowboy brasileiro, radicado nos EUA saiu na frente, gravou a entrevista e liberou o vídeo em seu canal do YouTube.

 

O Professor Olavo pode ser um péssimo avaliador de caráter, como deixou claro no início da entrevista, sentindo-se confortável com uma pessoa que o procurou com o evidente propósito de denegrir sua imagem, concedendo-lhe amavelmente horas de seu tempo e confiança, mas continua um homem inteligentíssimo e prevenido, afinal, Olavo é carvalho e gravou a entrevista, para a nossa sorte e deleite. São quase duas horas de uma conversa agradável em que, de forma singela, o homem que criou um movimento de Direita no Brasil compartilha generosamente seus conhecimentos.

 

Por outro lado, ao assistir a esse video depois de ler o que a moça escreveu, a primeira palavra que vem à cabeça é cinismo, seguida por um misto de revolta e vergonha alheia. Decidi então relatar o que vi e ouvi no video da dita entrevista, que sendo justa e exata, merece ser chamada de aula, ou um presente que dado aos não seguidores, e  muito longe do besteirol escrito pela militante, digo, jornalista, publicado pela Época.

 

A motivação da entrevista seria a posição do professor sobre a exposição Queer Museum. 

 

A entrevista começa com Tavares perguntando insaciavelmente sobre astrologia. Já aí percebe-se a clara intenção de diminuir o trabalho de Olavo de Carvalho. O professor, filósofo e autor, tem em seu cinturão, cerca de 3 dezenas de livros, mais de 1500 artigos e uma notável lista de admiradores e alunos ao redor do planeta. Informações irrelevantes para a entrevistadora que se porta como uma hiena atrás de uma carniça.

 

Ressalto então o que não se lê na porca, digo, vergonhosa matéria.

 

Aos 45 min ela diz que seria ridículo ter a pretensão de expor, se quer de conhecer, tudo que ele pensa porque “a gama de seu pensamento é complexa”. Aos 46 minutos ela tenta fazer com que ele se desculpe por combater a esquerda e o comunismo. A tal casca de banana, que no início da entrevista ela disse que não jogaria.

 

Ao perceber o seu próprio ridículo, ela chega a perguntar se não tem nada bom na esquerda, dando a impressão de que estava prestes a dizer que “ia contar para sua mãe”.

 

O professor então explica com a paciência dos sábios: “A vida de um escritor é baseada em experiências reais e não em preferências”, e diz qual o princípio básico da prática filosófica: “Temos que partir da experiência que está ao nosso alcance.”

 

No momento em que ele fala da hegemonia esquerdista quase intransponível, e que ele sozinho conseguiu furar essa barreira, é visível o ranso raivoso expresso no semblante dela.

 

Quando Carvalho aborda a metodologia ideológica, ela tenta fazer com que ele pareça uma espécie de demônio direitista de si mesmo e da direita brasileira. Lamentável.

 

Na entrevista, (reitero) que na verdade foi uma bela e paciente aula , o professor explica a ocupação acadêmica esquerdista, iniciada na tenra infância através do sócio-construtivismo, arraigando uma forma de raciocínio panfletário, dificilmente mutável, alheio a metodologia científica e garantindo a continuidade da pensamento esquerdista.

 

Nessa dita aula, ele chega a explicar os 4 discursos aristotélicos, na tentativa de atingir um mínimo da compreensão da tal jornalista.

 

E deixa claro porque nada do que ele diz, nenhuma de suas colocações, é como agente político, mas sim como observador científico. Esclareceu ainda como e porque nenhuma expressão escrita “dá conta total de uma filosofia”. E definiu uma filosofia (de um autor) da seguinte maneira: “Filosofia é o curso de uma investigação que toma a vida inteira. É um movimento cognitivo interior muito complexo que você tem que tentar entende-lo em seu próprio movimento.”

 

“Como o senhor concilia a sua erudição ao discurso do destino?”

 

“Não, não, não! Não tem nada disso! Quando eu digo alguma coisa horrível, eu não estou expressando meus sentimentos, estou expressando um fato, que eu posso documentar e provar, por mais absurdo que pareça o fato.”

 

Ficou claro que Olavo de Carvalho é sério, responsável e no campo das ideologias e ciências, sabe onde pisa. Talvez por isso mesmo, pela própria falta de argumentos, em seu texto, essa entrevistadora tenha se valido de palavras como guru e extravagante.

 

Explicando a metodologia da história das idéias formando as linhas de significados até a corrente de ação, o professor demonstrou como os filósofos mortos governam os vivos e como isso é relevante para entender as nefastas e destruidoras idéias que a esquerda defende sem saber porquê, notadamente a pedofilia.

 

O professor chamou Flávia à realidade: “Olhe bem pra minha cara! Você acha que sou capaz de atribuir intenções de pedofilias a quem não as tenha? Pelo amor de Deus!” Para então ressaltar a progressiva dessensibilização da sociedade e a diferença para a propaganda ostensiva de algo, e conclui que “Nenhuma modificação profunda da sociedade começa com a propaganda ostensiva”.

 

A mudança no comportamento da entrevistadora é tanta, que se percebe nitidamente à 1h15min, o único momento de sinceridade por parte de Flávia : “Qual o propósito, o senhor considera, de formar uma massa de pedófilos?”

 

Em seguida, quando o professor cita autores da própria esquerda que corroboram que suas palavras são tão somente a expressão da verdade, a evidente falta de retórica da moça, tão comum aos militantes lobotomizados da esquerda, aparece na já conhecida expressão do desdém esquerdista ao ouvir a irrefutável história (documentada) sobre o ideal de uma administração global unificada (o globalismo).

 

É nesse ponto que o professor cita fatos e fontes, livros e autores, exemplificando suas explicações, repetidos por Flávia em seu artigo em tom jocoso e delirante.

 

O paciente professor chega ao ponto de explicar a ação continua de entidades como agentes históricos, citando a Igreja Católica como exemplo para demonstrar que é possível influenciar o curso da história através das gerações, facilitando o entendimento das ações das famílias dinásticas na nossa história, algo que teve início, sabidamente, no século XIX.

 

De forma absolutamente compreensível o professor explica como e porque a família, juntamente com o direito de herança, são defendidos pela igreja, opostos ao globalismo, ao comunismo e a escravidão, facilitando o entendimento da “disputa pelo poder supremo baseado na dissolução dos poderes intermediários”.

 

Nota-se nesse momento que a expressão de Flávia vai do desdém a ironia. Vergonha alheia é uma expressão que bem define meus sentimentos para com a tal jornalista, nesse momento da entrevista.

 

O professor explica que tudo o que ele está dizendo é uma filosofia política e não uma propaganda política. O que é dito pelo professor nessa entrevista é embasado por respeitadas fontes que ele faz questão de citar a cada novo ponto exposto – tivesse ela, ao menos se dado o trabalho de averiguar, teria talvez, se constrangido menos.

 

Flávia, em seu artigo ridiculariza o conselho que o Professor Olavo daria a Jair Bolsonaro, mesmo tendo entendido perfeitamente que a questão seria a indiscutivelmente perigosa perda da soberania do Brasil e como “deslizar entre as malhas dessa dominação global”.

 

O professor segue explicando a ação global e como a única ordem que prevalecerá será a econômica. Demonstra ainda que a esquerda discursa contra o grande capital mas que contrariando o próprio discurso, o sustenta – momento em que a entrevistadora indiscutivelmente concorda e até exemplifica ela mesma.

 

Uma obscura diferença do tom sarcástico com o qual ela menciona Györgys Lukács em seu pífio artigo. Aliás, nenhuma dessas informações é mencionada em seu texto, que preferiu associar a imagem do professor Olavo de Carvalho às celebridades polêmicas e personalidades políticas de caráter duvidoso, algo muito longe do que se observa na conversa gravada.

 

Fosse Flávia uma jornalista atenta, (dentro do que se supõe que deveria ser uma jornalista,) não teria perdido uma rara oportunidade e espremido do professor uma detalhada explicação sobre um notável fenômeno por ele citado: como todos os intelectuais de esquerda vivem exatamente do que condenam, trabalhando justamente para as grandes corporações e a atual inversão que criou um populismo de direita e um elitismo de esquerda.

 

Em vez de um artigo que escreveria o nome da moça nos anais da história do jornalismo brasileiro,  optou por um panfleto difamatório e  fez cristalino, mesmo para os mais leigos, por quê não raro os militantes esquerdistas são vítimas da ideologia que defendem.

 

Para o tom intimista do início da matéria, dando a falsa impressão de conhecer pessoalmente a vida e as condições de moradia do professor, é explicado claramente na entrevista online, quando se vê que  ela simplesmente pergunta, obtendo informações sobre a cidade e até arranjos familiares. Ele responde perguntas de cunho pessoal, sobre sua situação (não) imigratória nos EUA, sobre suas condições financeiras e até sobre sua saúde. Aliás, o divertido professor dá dicas de cigarros e até “ensina” como fumar.

 

Ao perguntar sobre os hobbies do professor, entre eles sabidamente a caça, ele não cai na armadilha anti armas e cita os números das estatísticas públicas que calam as falácias desarmamentistas e deixa Flávia sem ter o que dizer sobre o assunto.

 

Por fim uma última provocação: “o senhor não respeita nenhum intelectual brasileiro?” E elegante como foi durante as quase duas horas ele cita notáveis intelectuais brasileiros.

 

A desfaçatez de Flávia se faz imensurável no fim da entrevista quando ela assegura ao professor que não tem uma agenda, que ela simplesmente tenta entender seu entrevistado e transmitir o que entendeu ao seu leitor e garante não fingir. Vendo a entrevista e lendo sua matéria, me pergunto se a moça é o primor da desonestidade ou apenas mais uma cavalgadura com emprego de jornalista…

 

Que o professor Olavo é polêmico, não há a menor dúvida, e tanto que ano passado cunhei uma máxima que acredito ser completamente cabível sobre o homem que deu vida a uma possível Direita brasileira: “Você tem todo o direito de não gostar de Olavo de Carvalho, mas não pode negar que só tem esse direito porque ele mesmo o deu a você”.

 

Sempre penso a esse respeito, graças a Flávia Tavares, uma vez mais, e continua valendo.

 

Leia aqui a matéria da Revista Época

 

 

 Video da entrevista

 

 

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