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Re-União 2017

Clint, meu herói

November 10, 2017

 

 

Eu cansei de chamar o ministro Joaquim Barbosa de “negão”. Naquele tempo eu gostava dele. Era meu jeito carinhoso de escrever nos posts como eu lhe tinha respeito e admiração.

 

O meu amigo Renato, que trabalhou comigo uns 40 anos, irmãozinho do coração e que morreu faz pouco, também era “negão”, para mim.

 

Vi, num show de stand-up americano, um cara negro que fazia gozação com os brancos. Dizia que quando um mano negrão o chamava de “nigger”, ele batia a mão com a mão do outro e respondia “yeahhh nigger”. Mas se um branco o chamasse de nigger, ele esculhambava o fulano. Falava isso na maior, se divertindo. E a audiência de negros, ria com ele.

 

O “politicamente correto” está matando a graça de viver com liberdade.

E xingar. Qualquer coisa pode dar processo.

 

Se um carro passa acelerado por mim, quase me pegando e toca a buzina, eu olho e digo ou grito “filho da puta!”. E se quem está dirigindo é uma mulher que quase me atropelou, eu resmungo “só podia ser mulher mesmo”. Ou, quando estou de bom humor grito "vai lavar um tanque de roupa, dona Maria!”. Isso pode dizer?

 

Me chamaram de “velho” mil vezes, de “senil” - e daí?

 

No colégio eu era um “italianinho de merda” e tudo bem. A etnia, no meio da molecada, ajudava a criar um xingamento. Muitas vezes como sinal de amizade. Nariz grande ganhava o apelido de “narigão”. Orelha de abano fazia sugerir ao sujeito “vai sair voando, hein, Dumbo!” Éramos meninos-rapazes. Quem não aguentasse apelido, sofria em dobro. 

Agora, tudo é “bullying”. Sei que é chato. Não elogio isso.

 

Pode ser que a barra tenha ficado mesmo mais pesada. Mas uma pessoa tem que aprender a se defender. Se um cara te enche o saco e passa dos limites, você mete a mão nele. Eu fiz uns tempos de colégio interno e você tinha que enfrentar todo tipo de bandidagem lá dentro. Inclusive aprendia a manejar teu inimigo politicamente, com tato e jogo de cintura, se ele era mais forte que você.

 

Desse jeito fui aprendendo como sobreviver, “sem correr para baixo da saia de minha mãe”. Me virei, me fiz homem. E quando eu preciso xingar, eu xingo.

 

Mas... coitado do William Waak. Acertaram ele na traição. 

Uns bostinhas acharam que ele exagerou e por isso foi punido pela Globo. Uns, uns, uns... viramos todos uns. Tempos difíceis, tempos de covardia, de uma frescura imensa.

 

Já não se fazem homens como antigamente. Igual ao machão Clint Eastwood, por exemplo, com seu  Colt '44 de 8 polegadas na mão, provocando ironicamente o assaltante ferido, esticado no chão: “Go ahead... make my day!”

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