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Re-União 2017

Caso Willian Waack tem relação com o caso Janot, Fachin e Temer?

November 10, 2017

 

O jornalismo, eu sei, não faz perguntas, mas as responde...

 

De qualquer modo, ouso levantar essa lebre diante dos mistérios que envolvem o afastamento do âncora William Waack (já foi decidido  – que o seu programa, Painel, da Globonews, será retirado do ar, ainda não se sabe se definitiva ou temporariamente).

 

O primeiro enigma do caso está no fato de o vídeo no qual o jornalista aparece fazendo um suposto comentário racista é coisa de um ano atrás.

Por que só agora ele apareceu ?

O que existe de certo na história é que sempre que a Globo se mete em política sobram estilhaços para todos os lados.

Diria que, em política, ela é um tanto desastrada.

 

Em 1982, explodiu o caso Proconsult - a emissora-líder se uniu ao regime militar para tentar uma fraude monumental na eleição que levaria o gaúcho Leonel Brizola ao primeiro governo no Rio de Janeiro.

A eleição seria fraudada pra derrubar Leonel Brizola, inimigo número um dos militares, e favorecer Moreira Franco, o todo poderoso do governo Temer, o que, é claro, não passa de mera coincidência.

 

Quem denunciou a fraude do Proconsult foi o panamenho Homero Icaza Sánchez (falecido em 2011), então diretor de pesquisa da Globo.

A emissora manteve Homero no cargo até a tempestade do Caso Proconsult passar: depois, o demitiu de um modo sórdido, glosou suas contas de uma viagem à Europa, a trabalho, porque aproveitou uma perna de um vôo para visitar a família no Panamá.

 

1989/1990, uma segunda interferência 

Pode-se dizer com segurança que Fernando Collor de Mello deve a sua eleição à presidência, em 1989, à Rede Globo, ou mais especificamente ao até então obscuro funcionário da emissora, Alberico Souza.

 

Foi Alberico que editou o célebre e último debate entre os dois candidatos, Collor e Lula, ficava razoavelmente claro para quem assistiu ao debate que Collor vencera, mas não ao ponto de provocar a reviravolta total que se observou no pleito.

Os próprios institutos de pesquisa começaram a dar como certa a vitória de Lula que crescia impetuosamente em toda e qualquer sondagem.

Mesmo contra a orientação de Armando Nogueira, o diretor de jornalismo da emissora, Alberico fez uma edição do debate que transformava em massacre a vitória que aparecia com sutileza.

 

Color tomou posse e aí pipocaram os estilhaços. 

Sobrou até para o brilhante correspondente da Globo em Nova Iorque, Lucas Mendes.

Em matéria exibida durante a campanha, Lucas chamara o candidato Fernando Collor de “Jagunço Yuppie” !

Foi demitido por exigência do novo presidente.

 

Já o diretor Armando Nogueira foi substituído pelo solícito Alberico.

 

A emissora às vezes paga caro por suas concessões aos poderosos da política: foi Alberico que levou a emissora a cometer uma das maiores fraudes da história do jornalismo brasileiro: o caso da Escola de Base, de São Paulo, em que os donos da escola foram denunciados por abusos em crianças, quando, algum tempo depois, se descobriu que era tudo falso numa conjunção perfeita entre um delegado venal e jornalistas de péssima qualidade.

 

Mistérios persistem

Ainda há dúvidas e controvérsias sobre o papel que a Rede Globo desempenhou nessa dupla tentativa de derrubar o presidente Temer.

Há quem veja um complô bem urdido entre o ex- Procurador Geral da República  Rodrigo Janot, o ministro-relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, e a emissora líder de TV, a poderosa Rede Globo.

 

As opiniões se dividem e há quem diga que a Globo fez apenas, durante todo o processo, bom jornalismo.Aqui no meu canto, com alguma experiência em televisão, observei coisas estranhas.

 

Quando tudo começou , a Globo escondeu o quanto pode a informação, que já circulava com força nas redes sociais e nas demais emissoras de TV aberta, de que os irmãos Batista haviam aplicado altas somas na compra de dólar já contando com a alta que eles mesmos provocariam com a denúncia contra o presidente...

Os escândalos eclodiram numa quarta-feira, mas a notícia da especulação só foi ao ar no Fantástico de domingo e bem tarde da noite.

Para mim, como jornalista, isso foi uma clara manobra editorial pra proteger os autores da denúncia.

 

Todos contra

Chamou atenção também o modo aparentemente fervoroso com que toda a comunidade jornalística a serviço da emissora assumiu as denúncias contra Temer. Âncoras, comentaristas, apresentadores, repórteres pareceram obedecer a um rito, a uma orientação superior – nenhuma voz discordante, nenhum gesto falho, nenhum escorregão !

 

Em meio ao vozerio contra Temer, William Waack chamava atenção pela clareza, pela contundência, pelo tom muitas vezes sutilmente irônico, mas suficientemente irônico para ter despertado ódios num palácio governamental vitorioso após derrubar duas denúncias consecutivas contra o presidente.

 

O vídeo que o derrubaria estava lá guardado na gaveta e a pressão de um presidente e ministros vitoriosos colocou-o em circulação...

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