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Re-União 2017

Avacalheichon na passeata

November 16, 2017

 

Fui na Av. Paulista, a contragosto. Quatro da tarde. "Vai ser o mesmo de sempre, um domingo no parque. Que saco!... Brasileiro não leva nada a sério." Mas ao mergulhar na passeata, mudei de ânimo. A festa corria solta, alegre, feliz. Tarde de feriado, sol gostoso, Raybans de feira. Nenhum sinal de protesto político. Então pensei: dane-se a política. E entrei a onda. Brasileiro não é mesmo um povo sério, uai. E me deixei tomar pelo clima.

 

A avenida Paulista estava assim: a cada 50 metros algum grupo batucava um Santana, um Tim Maia. E a meninada fazendo coreografia, na maior, dezenas de gentes davam passos em conjunto, dançando rap. Uma verdadeira “virada musical”. Daí não teve jeito: meti a cara na fuzarca. Dancei, errei o passo, tropecei, ri muito. Fiquei ridículo e quase ninguém reparou nisso. 

 

Pouquíssimos cartazes patrióticos. Acreditem: sumiram as demandas por democracia, liberdade, queremos isto, queremos aquilo. Nenhum caminhão de som, a não ser o do general Mourão, com gente fantasiada de militar e um boneco dele, gigantesco.  O pessoal foi lá pela Intervenção Militar.  

 

Pela Paulista corria um rio de felicidade. A política submergiu, engolida pela festa popular. Muita bichinha pobre, meninas gostosíssimas, em shorts curtos, com produções "made in periferia" desfilando sua sensualidade. Cheiro de churrasco na rua, todo mundo se olhando, uns aos outros, na maior simpatia, sorrindo. Como é bom ser brasileiro!

 

Meti a cara no meio do povo, me senti irmão da humanidade. A tarde estava ensolarada, e eu perdido, junto com todo mundo. O único momento sério foi com o caminhão dos que querem a Intervenção. Discursos enfáticos, convincentes, gente com roupa fake de soldado camuflado.

Foi só aí que apareceram os cartazes cívicos. E o Hino Nacional tocando repetido. Eu, mão no peito, cantei junto.

 

Interessante: a classe média fez forfait na passeata. A coisa foi tomada pelo povo, desbundado - e só. Acho que tudo contribuiu para a classe média refluir do evento “passeata”. O pessoal não acredita mais nisso. E quem foi lá, a maioria da "classe C", não se envergonhou em se divertir. Por isso, agora, neste momento, não tenho nenhuma vontade de extrair altos comentários político-sociológicos do acontecido. 

 

Danem-se os Aécio, os Lewandovski, os Toffoli, os Cabral, os Temer, os lula, o diabo. Afoguem-se na própria merda, cavalheiros.

 

Eu embarquei na Avacalheichon - foi ótimo. Agora decidi não escrever mais nada, por um bom tempo, cuidar da minha vidinha. E ninguém vai perder nada com isso. 

 

Bom dia, brothers and sisters! 

 

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