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Re-União 2017

A liberdade de expressão e os vigilantes

November 17, 2017

 

 

Taís Araújo, enquanto atriz e figura pública tem todo o direito a expressar sua opinião.

Isso é inquestionável.


Convidada a participar de uma palestra, "Mulheres que Inspiram", falou justamente sobre o que todos conhecemos sobejamente: desigualdades sociais.


Justamente por ser negra se referiu ao que, evidentemente, conhece muito bem.

 

 

Taís estava ali, com acesso ao microfone para expressar sua opinião por ser uma mulher bem sucedida, e tal mérito não se discute aqui.
Exatamente por isso, foi condenada por muitos nas redes sociais, sob ataques de querer criar polêmica, "mimimi", e outras coisitas por um pessoal que por força quer instituir um estado de vigilância insana em nossa sociedade.

 

Ora, sou branco, tenho cabelos claros e olhos claros.
Tive amigos negros -e de outras raças- durante toda a minha vida, e posso concordar integralmente com a atriz.

Não poderia ser diferente, já que eu mesmo presenciei e tive que intervir como pude em atos de racismo contra esses mesmos amigos, frutos de uma herança lamentável e silenciosa que persiste por aqui, apesar de tudo.

Tive namoradas negras. Sei como é.
Meu filho, branco igualmente, que teve desde pequeno amigos negros, também sabe.
Há tempos, foi assaltado na rua sob ameaça de arma, coisa comum nesta cidade.
Nunca comentou comigo sobre a cor de quem o roubou -coisa que até hoje não sei.
Existem, entretanto, os que prestam atenção nisso, infelizmente, e usam para justificar seu preconceito e sua burrice.

 

Sim, porque preconceito talvez seja a maior estupidez humana.
 Enfim, sabemos como é, todos nós.
Não entro em detalhes, porque são lamentáveis, e servem apenas para atestar o que disse a atriz.

 

Enquanto figura pública, Taís tem não só o direito como a obrigação de dar seu testemunho.De se expressar. E sabe bem disso.

Não fossem as figuras conhecidas a fazer isso, quem o faria?


Quem a critica pretende, justamente, que as coisas permaneçam exatamente como estão.


Quem pensa agradece, por ter levantado -com todo o direito- questões sociais (como o aumento significativo de homicídios contra mulheres negras, de 50% desde 2015) que afetam a todos nós, brancos, negros, ou seja lá o que for.

 

Quanto aos vigilantes, que patinem no atraso, no preconceito e na burrice, é sua marca registrada.
Não serão eles, certamente, que construirão um país mais justo, com menos desigualdade.


Serão os que garantem e defendem a liberdade de expressão.

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