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Re-União 2017

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November 18, 2017

 

Acho que todo mundo já passou pela situação de estar num grupo de amigos onde alguém conta uma piada, todos riem muito, para logo depois alguém lembrar de contar outra parecida, mas pior, e ninguém rir.

Rola aquele sorrisinho de lado e bora mudar de assunto.

 

"A Liga da Justiça" é mais ou menos isso.

 

O novo filme da DC tenta emular praticamente tudo o que funciona na Marvel.

-Vilão fraco? Tem.

-Exército de monstrinho-sem-cara pra herói matar sem culpa? Tem. 

-Apresentação atabalhoada de situações e personagens? Tem.

-Piadinha na boca de todo mundo? Infelizmente agora também tem.

Mas não funciona. 

 

Nada contra o humor para aliviar momentos de tensão, pelo contrário.

O problema é que, por mais que soe contraditório dizer isso, com humor não se brinca.

 

Costumo dizer que existem dois erros muito comuns cometidos por quem quer escrever comédia:

-o primeiro é o de subestimar o poder de uma boa piada;

-o segundo é o de superestimar.

Isso acontece porque comédia não é piada, é espírito.

E apesar de "A Liga da Justiça" não ser uma comédia – pelo menos não de forma voluntária – o que mais falta ao filme é respeito a seu próprio espírito.

 

Alguém deve ter chegado para o Joss Whedon e dito "cara, temos uma boa história aqui, mas está séria demais, topa botar umas piadinhas e falinhas espertas como você fez nos Vingadores?".

E embora uma ou outra funcione, o todo fica devendo.

A graça aparece, mas pedindo licença até para o cenário.

Sem contar a falta de embocadura da maioria dos atores para o arremate mais simples.

 

Quando Ezra Miller pergunta a Ben Affleck qual o superpoder do Batman, o queixudo responde: "sou rico". A piada é boa, mas parou ali.

Agora imaginem o Robert Downey Jr. dando a mesma fala... Pois é, seria outro papo. Isso acontece porque o filme todo é indefinido, da paleta de cores até o material promocional.

 

Podem reparar: enquanto o cartaz de "Ragnarok" parece uma cópia sem-vergonha de alguma comédia B oitentista – o que de fato o filme é – o da DC fica no meio do caminho: não é muito claro, nem muito escuro, não é muito colorido, nem muito sombrio; não é alegre, nem sério; nem lá, nem cá. Médio em tudo, assim como o longa.

 

A impressão que fica é a de que ninguém acreditava no projeto, e confiança é tudo quando se trata de criação.

 

"A Liga da Justiça" abriu bem e pode até ter vir a ser sucesso, mas certamente não ensinará muito à DC.

Porque em cinema, como na vida, você aprende mais errando com confiança do que acertando na dúvida. A Marvel que o diga.

 

 

 

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