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Re-União 2017

Homo Asinus

November 20, 2017

 

 

 Há cerca de 160 mil anos, um macaco ambicioso, diferente dos demais, desceu da árvore e iniciou uma nova espécie, o homo sapiens.

 

O que o diferenciava especialmente dos primatas bípedes, seus antecessores no planeta, era o raciocínio abstrato, a linguagem, a introspecção e a resolução de problemas antes complexos para seus avós.

 

As bananas, seus alimentos, a reprodução e a sobrevivência deixaram de ser prioridade absolutas; surgiram novas e fascinantes necessidades.

 

 

Uma delas, fundamental para a evolução da espécie, era a possibilidade de passar adiante as experiências vividas.

 

Assim, o homem começou a rabiscar nas cavernas suas lutas, a história de suas tribos, suas angústias e suas alegrias.

 

Só muito tempo depois, em 3000 a.C., surgiu a escrita na Mesopotâmia, o passo fundamental e decisivo para o surgimento do homem que conhecemos hoje.

Com a escrita surgiu a literatura, e com ela veio a possibilidade inimaginável do homem transmitir sua experiência aos outros, com complexidade, acelerando a evolução humana.

 

Os seres humanos, neste momento brilhante, tinham afinal a dádiva de armazenar o conhecimento.

Conhecimento que lhes permitia utilizar os ensinamentos e informações de gerações anteriores sem ter necessariamente que vivencia-los.

Assim, o homem adquiriu a sabedoria, transmitida de geração em geração, e desenvolveu sua inteligência dedutiva.

 

Os homens já não precisavam, por exemplo, ter passado por uma guerra para ter conhecimento dela.

Ou, partindo de cálculos primários existentes nos livros e dados como verdadeiros, elaborá-los e torná-los mais complexos.

Isso foi chamado de evolução.

 

Essa evolução nos trouxe até aqui, a 2017, e à enorme quantidade de informação transmitida pela internet, pelas redes que unem o mundo com ela.

Não precisamos ter estado no World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001 para termos consciência, com detalhes, do ataque terrorista da al-Qaeda e seus horrores.

 

Essas constatações primárias me levam, como vi aqui estes dias, a uma conclusão sombria: a de que, muitas vezes, 160 mil anos de evolução parecem ter sido jogados no lixo por uma radicalização cega e reacionária, que nega o mais óbvio.

 

Vi, especialmente no caso da atriz Taís Araújo, dezenas de pessoas supostamente inteligentes declararem, enfáticos:

"Eu nunca vi casos de racismo, portanto não existem".

Em posts e textos que escrevi depois, nada abalaria essa afirmação cega.

Nem números, nem pesquisas, nem depoimentos de próprios negros.

Por razões diversas, que não compreendo muito bem, como preconceito de classe, posições políticas radicais, ativismo burro e sem discernimento, e até mesmo por seguir cartilhas gastas, vamos involuindo, num mundo ironicamente saturado de informação.

 

Não se trata sequer de seguir o mainstream, espatifado numa Babilônia de convicções de todos os tipos.

Se trata, numa dedução provável -e aí sim nos transformamos todos em personagens de "vitimização"- de uma enorme estratégia bem sucedida.

A de dividir para conquistar.

Nos transportando de volta para uma era negra, onde só vivendo determinada realidade nos dávamos conta de sua existência. E reagíamos à ela.

 

Sombriamente, hoje, depois dos comentários que vi, só tenho a declarar o seguinte, sem convicção:

O homem jamais pisou na Lua.

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