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Re-União 2017

Está difícil ser poeta...

December 26, 2017

 

Fui para o meu passeio matinal com o meu doguinho Nic.

Andei por uma rua comercial repleta de caixas de papelão abandonadas, embaixo delas um mendigo dormindo, as luzes que enfeitavam as árvores apagadas mostrando a sua poeira, copos de papel e lixo espalhados, sujeira de cão na calçada (alguns só apanham quando alguém está olhando)...

 

Acabou o natal, de volta à realidade da vida de uma  cidade cruel, insensível, fria? Só que não, quero a Poesia da vida, o olhar justo, mas complacente. Amoroso...


Lembrei de Manoel Bandeira, ele escreveu que o poeta tem o "olhar enviezado" (isso aí: neste ano que se iniciará serei mais poeta, menos crítica!) . Que poeta não tem compromisso com a verdade, só com a verossimilhança (puxa, isto vai ser tarefa difícil! Será que  os políticos são poetas, já que querem parecer honestos, mas não são, lidando com o conceito de "verossimilhança"?

 

Eu desconfio que as festas natalinas me emburreceram!.

Quando vejo um mendigo abandonado como lixo na calçada, transeuntes passando sem um olhar de piedade, meu olhar fotografa e a minha alma encolhe na tristeza deste abandono. Procuro reinventar a beleza no azul do céu, no voar dos pássaros, no cheirar de flores...( vai daí que não consigo). Se poeta é o que inventa beleza, nunca o serei. Estamos vivendo de um modo automático, sem criticar o que vemos...( a idéia de se ser humano é outra).


Bandeira "inventou" um personagem que era ele mesmo, Bernardo: " o seu silêncio era tão alto que os passarinhos ouvem de longe e vem pousar nos seus ombros." Os passarinhos também pousavam em Manoel.

Amava o vento (também amo) e dizia que este fazia a borboleta voar até o azul do céu, e que ela era "uma cor que avoa". Fazia a sua poesia do seu modo, como dizia "divagando inutilezas"... (Como nos faz falta num mundo dominado pela tecnologia este divagar desimportando das coisas!).
Queria "amarrar o tempo" e dizia que este tempo só andava de Ida...( nestes "novos tempos" de politicagem cruel a gente só pensa em desamarrar tudo, esclarecer, e está difícil ser poeta...).


Caminho pensativa, o meu cão parando a cada poste numa desmedida que me dá tédio. Chateada por não conseguir ver poesia nesta manhã de pobrezas desgarradas, consciente do meu repúdio pelos políticos corruptos, frustrada pelos idiotas que os seguem, mas ainda esperançosa.


Temos uma "torneira" de informações que antes não tínhamos, tomamos um banho de realidade que nos acordou e só precisamos agir melhor, ou seja, re-agir no sentido real da palavra. Só assim teremos a Poesia de volta às nossas vidas... Só assim vai Dar Certo e a borboleta da nossa esperança vai revoar para o sem limites do  azul do céu...

 

Comprei um maço de flores azuladas e voltei para casa...

 

 

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