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Re-União 2017

Pedido de Ano Novo

January 1, 2018

 

Hoje à noite a TV americana será inundada com imagens de festas, fogos de artifício, a tradicionalíssima celebração na Times Square em Nova York e inúmeros pedidos de casamento. Não chega a ser uma tradição, mas há uma clara preferência pela data, a noite de ano novo, para que os apaixonados corações americanos façam a pergunta mais importante de suas vidas, o famoso “Will you marry me?” (Quer casar comigo?).

 

E este é o tema que escolhi para encerrarmos o ano.

No Brasil os pedidos de casamento eram feitos ao pai da moça – na verdade, até hoje, em casos formais, solenes mesmo, ainda são. Para a maioria que dispensa a pompa e circunstância, já que sabemos que tradição é uma das alergias do nosso povo, o homem apaixonado compra umas flores, leva a moça para jantar e põe uma aliança no dedo anelar da mão direita quando ela diz sim à sua pergunta, enquanto estão os dois ali sentados.

 

É claro que para um coração apaixonado, a simples perspectiva de passar o resto da vida ao lado da pessoa amada é emoção mais que suficiente, mas há maneiras diferentes de se experimentar este momento: trazidos pelos filmes e séries americanas, os brasileiros de agora já copiam, mesmo sem entender bem o por quê, o tradicional pedido de casamento americano, em que o homem se abaixa em um dos joelhos e propõe matrimônio à sua escolhida. 

 

Para entender esse costume é preciso ter claro que seu significado se mescla a sua origem.

 

Respeito, honra e rendição.

 

São essas as três razões pelas quais o homem se ajoelha ao pedir uma mulher em casamento.

 

Aos cavalheiros a quem era dado estar na presença do rei, em sinal de respeito e reconhecimento da superioridade real, ajoelhavam-se em um dos joelhos ao entrar e ao sair. Assim como respeito e humildade, também significava que sua vida, sua espada e seu escudo estavam a serviço daquele rei.  E é exatamente uma das mensagens contidas quando o homem se ajoelha perante sua amada. É como se ele estivesse dizendo para ela e para o mundo que por ela ele está disposto dar a vida e alia seu nome e sua honra.

 

Nos primórdios do cristianismo e na Igreja Católica até hoje, todos ao adentrarem  e ao deixarem a casa de Deus, também se abaixam em um joelho. É um sinal de humildade perante o divino. Sinal de respeito.

Ao se ajoelhar para a mulher com quem ele pretende passar a vida, o homem está demonstrando sua humildade, sabendo que a força dela é muitas vezes inferior, ainda assim, ele se curva, como numa promessa de respeitar e proteger sua integridade física. Muitos entendem como um compromisso de caminhar ao lado dela no caminho cristão, um pouco mais que o tripé do pedido de casamento como proposto, respeito, honra e rendição.

 

Ao perder a guerra, ou ao se render em nome de um bem maior que a própria vitória, o guerreiro o fazia também em um só joelho. E o significado de rendição aqui é exatamente este. O homem se rende à sua amada abrindo mão das inúmeras conquistas de solteiro para estar, a partir de então, apenas com ela.

 

O momento inicial desse tipo de pedido de casamento hoje em dia já é pouco lembrado, mas se é que haviam regras para tal, uma delas é que essa rendição era exatamente a primeira fase do pedido, e o homem descia a um joelho, olhava rapidamente para o rosto de sua escolhida e então fixava o olhar em seu ventre por breves instantes, o suficiente para que se entendesse, que por ela e pelos frutos dos amor deles, ele rendia suas conquistas e aventuras.

 

Diferente de muitos modernosos que hoje dizem que na atualidade não cabe mais que um homem se rebaixe, trata-se não de se rebaixar, mas sim de elevar a mulher ao nível dele, perante a sociedade. 

 

As propostas de casamento estão cada vez mais elaboradas e se tornaram um mercado, contudo, acerta quem o faz em público, já que muito mais que um ato de exibição, trata-se de um compromisso, da palavra dada pela mais nobre das causas. Contudo, seja na multidão da Time Square ou no conforto reservado da sala de estar, o valor maior está, indiscutivelmente no comprometimento que a tradição simboliza.

 

É lamentável como tradições como essa vêm sendo deturpadas: na internet encontra-se de tudo, desde feministas defendendo que a mulher também deve se ajoelhar e propor matrimônio, até gayzistas onde homens se ajoelham diante de homens e mulheres diante de mulheres. Ora, qual o sentido da honra nesse caso? Como empenhar sua palavra prometendo amar e defender os filhos dessa união? Como contemplar o ventre da mulher amada como fonte da própria eternidade? Como servir com a vida, com seu escudo e com sua espada aquele que não precisa de seu serviço?

 

Quando um homem se ajoelha, pede e a mulher aceita, ele coloca o seu anel em seu dedo anelar da mão esquerda. A partir de então, é sabido que aquela não é mais uma mulher qualquer, mas sua prometida, no sentido mais amplo de promessa e ao casarem a aliança que será o símbolo desta união consolidada e abençoada, fará companhia a esse anel, fechando-o no dedo da mulher, que doravante será a senhora daquele guerreiro. Noutra oportunidade falarei sobre o anel, por hora, basta saber que o costume do anel vem dos romanos antigos, primeiros a presentearem suas escolhidas com tal peça, que nem era de metal nobre. Foi só entre 1920 e 1930, que dado seu raro valor, o diamante começou a ser oficial nos pedidos de casamento. Oficial, mas não necessário. A história da americana da Florida, que em 2013 ficou famosa ao responder duras críticas nas redes sociais, por seu anel de fantasia, dado por seu então noivo, deixou claro que eles sim entenderam a simbologia do anel e que o rapaz sim estava comprometido com cada detalhe do pedido que fez à sua noiva.

 

O amor deve ser tratado como a maior preciosidade da vida e é a maior razão para que um homem se una a uma mulher. Deveria ser a única. Procurem saber o significado de suas ações para que elas tenham o alcance exato da importância de cada momento.

 

Hoje, na noite de ano novo, não desperdicem a oportunidade, ano novo, vida nova.

 

Feliz 2018 a todos.

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