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Re-União 2017

A Intifada venezuelana

January 5, 2018

 

Para fazer ovo quente você pode se valer de um timer: 3 minutos. Alguns segundos a mais e ele fica duro. E uma revolução? Tem timer que anuncie quando ela vai acontecer? Ninguém sabe. 

O povo ferve, ferve subterraneamente até o momento que a panela de pressão explode. E aí os governantes vão ao desespero, acionando a fúria armada do exército, da polícia e dos grupos mercenários armados.

A Venezuela faminta e oprimida pelo Maduro reage, com a força do desespero. E a cada morte as chamas se espalham mais. 

 

Como exemplo similar, vejam a Intifada palestina em dezembro de ‘87. Os pundits do governo, os experts da política, não perceberam os ruídos profundos das placas tectônicas se movendo, na preparação do choque eminente, com seus sismógrafos paralisados, antes da explosão. 

 

O estopim da sublevação palestina foi aceso por um simples acidente de trânsito, no qual um caminhão israelense matou quatro moradores de Jabaliya, o maior dos oito campos de refugiados na Faixa de Gaza. Espalhou-se o boato de que o motorista causara deliberadamente o acidente, para se vingar o assassinato a facadas do seu irmão em Gaza, dois dias antes. Isso não era verdadeiro, absolutamente. Mas o boato inflamou a raiva dos palestinos e deu início aos distúrbios em Jabaliya e em toda Faixa de Gaza.

 

Em poucos dias os territórios ocupados estavam mergulhados numa onda incontrolável de violência, numa escala sem precedentes. A deflagração da Intifada foi completamente expontânea. Nem a OLP tinha percebido a extensão do movimento popular que iniciava a revolta. Mas, claro, a elite política palestina foi rápida em se juntar contra o domínio israelense. 

 

A Intifada tinha suas raízes na pobreza, nas condições miseráveis dos campos de refugiados, na humilhação que os palestinos tiveram que suportar durante os mais de 20 anos anteriores. A Intifada também pegou Israel totalmente de surpresa. Agora o conflito israelense-palestino tinha fechado o círculo. Morreram milhares e milhares de pessoas nessa guerra que mudou o jogo político tanto em Israel como na Palestina. E no mundo.

 

Um professor israelense definiu assim a situação: “Um exército pode derrotar um exercito, mas um exército não pode derrotar um povo... Israel está aprendendo que o poder tem limites. Espada pode destruir espada, mas não pode destruir um punho desarmado.” 

 

O presente momento da Venezuela está chegando nesse zênite, como aconteceu na história de tantos regimes totalitários. A violência vai continuar até o Maduro cair. Outro que vai para o cemitério ou para Cuba.

 

E a história da Intifada vale também para o Brasil. Basta ver como a situação se torna cada vez mais paralela com a da Palestina. Ou da Venezuela. 

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