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Re-União 2017

Conjecturas de intolerância

January 9, 2018

 

O ano está mal começando e o nível de tolerância já começa a baixar...


-No táxi eu exclamo "tá calor, tem ar?"...

-"Tem"...silêncio...

O diligente motorista resolve perguntar: "quer que ligue o ar?"

-"Não! Eu adoro sentir quentura e chegar no trabalho todo melado e   amarrotado".

 

 


Entro no elevador no térreo... o ascensorista indaga:

-"vai subir?".

-"Não, quero ficar aqui dentro parado; vou trabalhar no elevador hoje".


Tenho fome e desço para comer algo. Entro no restaurante e me dirijo a uma mesa. 
-Diz o atendente: "vai almoçar?".

-"Não, vim aqui só visitar o toilette e comer hossomaki de cocô". 


De saco cheio eu retorno e, no elevador lotado das 13:00 hs, tudo grudando, aquela gritaria, mochila do motoboy encardindo minha camisa branca... começo a contar, baixinho (1, 2, 3, 4, 5... controle, controle...).

Uma mocinha engraçadinha, com tattoo de estrela no ombro, assiste e diz: -"O senhor fala sol-zee-nhooouol???".

-"Não, apenas tenho longas conversas comigo mesmo, mas são tão     profundas que, às vezes, eu não entendo nenhuma palavra do que estou   dizendo". 


Na proteção da minha salinha sou obrigado a puxar uma ligação telefônica. -"Quero falar com o responsável da linha".

-"Com quem a senhora deseja falar?"

-"Com o responsável da linha; mas quem está falando?".

-"Com o responsável pela linha". A imbecil desliga.

  Eu que sou louco, né!?!?


Até meu computador me sacaneia:

-"Tem certeza de que deseja deletar esse arquivo?". "Sim" (clique).

-"Este arquivo será deletado. Não poderá ser recuperado. Porque está         deletando esse arquivo?

-Pode dispor de alguns instantes para responder ao nosso Survey?".

-"Não respondo nada. Só quero deletar essa coisa" (mais um clique). -"Aguarde um instante. O arquivo será deletado" (clique e ctrl+esc).

-"Apaga logo, e não fala mais nada. E foda-se o Windows, o Bill Gates e     todos esses cropófagos aí da Microsoft" (clicão bem forte, quase um   murro... pelo menos o teclado é resistente).


Vou embora.


Tomo o terceiro elevador e aperto o "T".

-Vem a pergunta: "Vai descer?".

-"Ué o T não é de Telhado? Quero ir para a cobertura do prédio e pegar     meu cavalo que voa pra ir pra casa". 


Segundo taxi:

-"Tá calor". "Quer que ligue o ar?".

-Só pensei em mandar o cara pra merda... não falei nada.

 
Aliás, todos os meus repentes de jocosa intolerância de hoje não foram externados. Só pensados e fruto de ficção. 

Mas já vi que o ano vai ser punk.

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