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Re-União 2017

Corações e mentes

January 20, 2018

 

Há uns vinte anos, veio grudado na esquerda que ascendia ao poder no Brasil
um conceito, uma forma de enxergar a realidade muito especial.
Era o cinismo, em relação à tudo e todos.
Os cínicos, a partir de então, se multiplicaram como capim.
Como mato num terreno abandonado.
Enxergar motivações escusas em todas as ações dos seres humanos passou a ser o sentimento comum.
Nada mais lógico, já que o pensamento e a ação do cínico tem um único objetivo: o de satisfazer suas próprias necessidades, seus próprios desejos.
Levar vantagem em tudo. Esse foi o mote de uma época.
Uma época de involução, de atraso, marcada por um presidente semianalfabeto, afirmando sem parar que se deu bem sem ler um único livro.
Os cínicos o seguiram. Alguns, involuntariamente, o apoiaram e deram razão à sua existência.

 

A prioridade do cínico é seu próprio bem estar.
Exatamente por isso, acha o resto da humanidade seu espelho.
Os que o contestam são para eles os ingênuos, aqueles que idiotamente ainda insistem em ter fé.
Para os cínicos, a fé e a crença são apenas fachada, alguma espécie de mote publicitário inventado que pretende disfarçar um mau produto.
criado por outros como eles -que querem poder, grana, status, seja lá o que for- para enganar otários.
Mas eles não são otários. Eles sabem tudo.
E acreditam piamente, como não poderia deixar de ser, que nada jamais mudará.

 

O mundo nem sempre foi assim.
Houve época em que se acreditou em valores como honestidade, moral, lealdade.

 

Quando, hoje, vemos um homem dar sua vida pelos seus princípios, como vimos Óscar Pérez, na Venezuela, em sua luta pela liberdade, voltamos a essa época.
À época dos homens decentes, dignos.
Da janela onde conversava com aqueles que seriam seus executores, ouvimos Óscar tentar explicar: 'Eu quero fazer a diferença.’
E fez, de forma trágica.

 

O mundo civilizado não é dos cínicos.
Todo o poder amealhado, toda a grana, todo o conforto e todo o bem estar conquistado por eles estará debaixo da terra um dia, dentro de seu caixão.
Esquecidos.

 

Uma ideia, ou um ideal, entretanto, quando de encontro aos ideais da civilização e dos homens de boa vontade, jamais morre.
Assim será com Óscar e com os outros heróis que pereceram com ele.

Serão eternos.

 

Este texto é dedicado à todos os heróis venezuelanos, e especialmente á querida Emma Sarpentier, menina forte que hoje chora.
Suas lágrimas não serão em vão.

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