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Re-União 2017

Passada a euforia...

January 27, 2018

 

Entendo a euforia pela condenação do bandido mais pernicioso d

a história brasileira, também pretendo comemorar sua prisão e considerarei esse o acontecimento do ano, caso venha mesmo a ocorrer – nunca se sabe, no Brasil tudo pode acontecer e cada um fala uma coisa, de maneira que não tenho certeza alguma, salvo que não confio na mídia tradicional.

 

Mas, passado esse primeiro momento de rir à toa, creio que é bom colocar as barbas de molho porque pode ser que isso seja só o começo e não estou tranquilo. Agora sim é que não podemos baixar a guarda. 

Como em uma comédia de horror, daquelas tipo B, com roteiro previsível e atores decadentes, agora veremos o festival de chororô (acompanhado do tradicional quebra-quebra, óbvio), bravatas, gritos-de-ordem clichês, fanfics com crianças comparando lula ao próprio Jesus Cristo (vi uma ontem e outra hoje) etc., só que isso é apenas a casca, é o que querem que vejamos.

 

A tática é antiga e manjada: esses bandos revolucionários sempre se livram de seus elementos que não servem mais em nome da “causa”, por mais importantes que eles sejam e seja lá o que isso signifique, e botam a militância para fazer o serviço sujo pelas ruas; não importa, se é bom para a causa, é ruim para o Brasil por definição.

 

Nada de novo, e o establishment precisa continuar limpinho. Lula merece ser abandonado até pelos seus: ele emporcalhou até a estratégia de ocupação de espaços preconizada por Gramsci, cercando-se da pior laia de incompetentes, puxa-sacos e mentirosos, e cometeu seu pior erro ao impingir ao país um negócio assombrosamente ruim, mesmo para os padrões petistas, a ex-presidanta, o poste sem luz cercada de gente ainda pior do que os que cercaram seu chefe.

E a cada novo escândalo da cumpanherada, mais bocas a calar, com cada vez mais dinheiro público. 

 

Mas Lula pode não ter sido simplesmente abandonado – afinal, ele sabe demais e ainda consegue conduzir sua reduzida, mas ainda perigosa manada –, pode ter sido o boi de piranha-master para a estratégia de perpetuação no poder dessa gente, que continua caminhando.

 

Lula está acabado: o mito do retirante operário coitadinho que lutou contra os poderosos em favor dos pobres virou paçoca, ele não se elege nem para vereador em cidade de 1000 habitantes, creio que nem com as maquininhas mágicas da Smartmatic, mas ainda serve para alguma coisa – principalmente para ficar de bico fechado.

 

A máquina pública ainda continua inchada pelo excesso de cumpanhêros, que continuam gordos e só um pouco mais discretos, a imprensa chapa-branca continua de luto, a classe artística e a “esquerda caviar” continuam choramingando, os padrecos da Teologia da Libertação continuam incitando o populacho, os professores universitários engajadinhos continuam militando por tudo, menos ensino, e todos esses são especialistas em capitalizar esse “sofrimento” do líder injustiçado.

Para isso vale eles usarem o verbo “capitalizar” – André Assi Barreto e eu falaremos mais sobre isso em nosso livro “Saul Alinsky e a anatomia do mal”, em vias de finalização. Lula é apenas a face mais visível do esquema de poder que comanda tudo e que continua em pleno funcionamento. O vídeo com “artistas” perguntando “cadê as provas” contra lula é de uma canastrice pior que novela mexicana, patética e desanimadamente ruim, mas está aí para todo mundo ver. E, afinal, o sistema precisa continuar limpinho. 

 

Dizendo melhor: como explicar um boçal como Guilherme Boulos, uma senadora da República como Gleisi Hoffman ou um sujeito animalesco como João Pedro Stedile, dentre outros tantos, vociferando bravatas, pregando abertamente a desobediência?

Sim, sabemos que não passam de bravatas e, faltando incentivo financeiro (= pagamento, que não vai acontecer porque perderam a chave do cofre, e nenhum petista vai colocar dinheiro do próprio bolso para financiar isso) só vão ter apoio dos mais estúpidos, mas são desafios escancarados ao poder estabelecido.

 

Muita gente já falou disso, não preciso esmiuçar o caso aqui; ocorre que em lugar nenhum eu vi alguém mandando-os calar a boca ou desafiando-os; muito menos tomando alguma ação efetiva: o que eles fazem é crime e como tal deve ser tratado – porquê diabos não é? Não é que a condenação e provável prisão do maior picareta da história brasileira, o indivíduo que mais mal fez ao país, não seja uma grande notícia; ela é, mas principalmente pelo valor simbólico.

 

Como disse Olavo de Carvalho, o pior crime dessa criatura está longe de ser a roubalheira, mas a entrega do país ao Foro de São Paulo foi isso e nada além disso que desencadeou a desgraceira que hoje assola o país.

 

Essa hidra tem mais cabeças do que podemos contar e não podemos nos dar ao luxo de considerar a guerra vencida.

 

Márcio Scansani é editor da Armada.

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