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Re-União 2017

Recomeçar com leveza...

February 4, 2018

 

Pra que carregar os fardos do passado?
Ok... separou, curtiu o tempo de luto, passou pelo chamado período da "doideira" e, finalmente, depois de baixar a guarda e cuidar do próprio jardim, estando bem consigo mesmo/a, surge o momento mágico de encontrar a pessoa certa e, voilá, começa a namorar.


Mas ele/a, tem um passado, como nós também o temos; tem filhos; aliás, a grande probabilidade de alguém separado ou divorciado que se engaja em outro relacionamento encontrar um parceiro/a com filhos é grande.
Não vir com o "brasilino" é raro. Tampouco é impossível uma pessoa já vivida não ter experiências anteriores.


E como lidar com isso? Não são poucos de nós que encaram a situação de ter os meus, os dele/a e até os nossos ou um/a ex.
Qual o melhor timming para contar do namoro aos filhos? Apresentar? Falar do/a ex? Quando? E se rolar ciúmes? E se rolar rejeição? E se rolar falta de respeito ou falta de educação?


Comigo já aconteceu, fui destratado por filhos a quem faltou um pouco de educação e os ciúmes pegaram fundo... e, confesso que, por questões pessoais, não lido bem com rejeição...
E precisei, na marra, aprender a conviver com a situação e procurar, inclusive com auxílio de terceiros - profissionais - saber como me portar, evitando maior desgaste.


A primeira lição que precisei aprender e transmitir, foi a de que temos o direito de sermos felizes, mesmo carregando nosso passado, nossas histórias e experiências, que não nos podem assombrar ou ser uma pedra no sapato.
Depois aprendi que os filhos precisam ser educados para que tenham a própria vontade, mas que simultaneamente sejam autônomos e independentes. Que tenham seu espaço, mas que compreendam que sua liberdade - mesmo em um mundo democrático - termina efetivamente onde começa a do próximo; caso contrário, passa a imperar o caos.
Criar tiranos que são sangue do nosso sangue é uma bobagem, mesmo.


Tive que entender que educação é um "asset", um ativo, cujos resultados se percebe a um termo futuro longo. E tais dividendos se constituem na esperança de que os filhos sejam pessoas do bem, encontrando bons caminhos, tenham suas próprias células familiares, sejam saudáveis, de boa índole, de bons princípios, éticos, etc., etc., etc., mas para isso temos que, muitas vezes coloca-los no eixo, até com certa energia, não permitindo que façam o que bem entendem, até mesmo nos manipulando.


Isso mesmo, filhos tendem muitas vezes a manipular os pais, chantagear emocionalmente, especialmente os filhos de casais separados, com a clássica acusação de que um dos pais (em geral o que começa a namorar, objeto do ciúme) está destruindo a "família"...
Família? No seguir da vida, aprendi que nossa família é aquela de onde viemos e a pessoa ao lado de quem estamos felizes.


Mas voltando aos filhos...
Em síntese, filho bom, é filho educado, gente, preparado para a vida, inclusive para lidar com perdas, fracassos e decepções, dentre elas até mesmo o ocaso de relações entre seres humanos, sejam elas profissionais, de amizade e, no caso, afetivas, entre os pais, para que compreendam que os genitores, mesmo não estando mais juntos, têm o direito de ser felizes com outra pessoa.
Filho tem que saber se portar. Não adianta berrar, dar porrada na parede, se jogar no chão do shopping, dizer que vai embora de casa, que não vai adiantar. E, se não tiver reprimenda, com cabeça, vai piorar.


Os meus certamente não me atrapalham.
Finalmente aprendi e precisei salientar que, com filho, a gente não pode dar moleza.
Muito menos com aqueles/as cujos ciclos de relacionamento devem permanecer no passado.
Por mais que cause dor e algum remorso, não podemos sempre fazer as vontades deles.
Não podemos nos sacrificar exageradamente por eles, nos abster de nosso próprio prazer, de nossos amores, de nossos desejos e vontades, para que outros seres fiquem em uma posição de conforto.
Muito menos podemos permitir que filhos ou alguma relação passada macule a nova...

Mesmo inconscientemente, os filhos ou um/a ex, muitas vezes travam batalhas conosco. Não podemos permitir.


Somos pais e seres livres e, enquanto eles não alçam os próprios vôos e, muitas vezes tentam bater de frente, precisamos mostrar quem manda, que somos donos dos nossos destinos.
Garanto que, se eles souberem quem dita as regras e que mesmo nas democracias mais avançadas, existem comandos legais, restrições e punições - não havendo possibilidade de anarquização - a coisa fica mais fácil!


Não sou psicólogo, psiquiatra, analista, conselheiro matrimonial ou algo que o valha. Sou apenas um advogado que de vez em quando se mete a dar conselhos pra quem, como eu, não tem obrigação de aguentar malcriação alheia ou carregar fardos que não me pertencem.
Apenas tento transmitir o que aprendi com minha experiência pessoal.


E, só sei que é bom recomeçar com leveza, paz de espírito e sem fantasmas.

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