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Re-União 2017

O computador soviético

February 6, 2018

 

Em um mundo de imaginação, não muito distante de nossa realidade, enxerguei o que seria o comunismo no futuro, nele milhões de terminais de computador se espalhavam pela Nova União Soviética, nação vista pelos Estadistas como um lugar com "excesso de democracia".

 

Pessoas postavam freneticamente tudo que fazia parte de suas vidas, o que viam na rua, seus desejos, medos, aspirações, dados de produtividade e suas relações com o proletariado, amigos, vizinhos e a família, enquanto a mídia berrava índices manipulados do bom desempenho nacional e a postura politicamente correta de como cada um deveria agir.

 

O computador central que captava as informações do povo era a maravilha do Estado, um ser  "vivo" e pensante, que exercia uma influência divina sobre todos. Ele também era responsável por realizar eleições eletrônicas e assim eleger os novos dirigentes da nação em pleitos realizados a cada quatro anos.

 

Mas um dia, um rebelde saído do povo, decidiu descobrir onde ficava o super computador que a todos controlava e quem sabe sabotá-lo. Ninguém, nem mesmo os líderes do partido e os generais puderam ver tal maravilha. Sabia-se que somente três membros superiores do governo, tinham contato  para mantê-lo funcionando.

 

Espertamente, nosso rebelde teve a idéia de  seguir os cabos de rede dos terminais, que estavam em todos os lugares. Disfarçado de técnico, entrou no subterrâneo de Moscou por uma tampa de esgoto, encontrou um ramal do cabo azul da rede, que conectava um jornal do partido ao computador central e o seguiu, subindo hierarquicamente na grande rede de fios, que mais parecia uma rede de neurônios, chegando um dia depois até o  supremo cabo principal,  grande e  grosso, que decerto estava conectado ao computador líder da nação.

 

Daí em diante, ele se esgueirou por dentro de uma tubulação parecida com dutos de ar condicionado e com isso foi parar no interior do edifício do Ministério da Informação, onde residia o super computador, o "grande irmão". Com muito custo continuou seguindo o  imenso cabo que acabou  

embaixo de um piso falso, que o separava da sala do tão  temido e venerado "cérebro eletrônico".

 

Com o coração palpitando, arrancou as placas do piso falso e atingiu a sala proibida, mas seu sangue gelou quando para sua surpresa, constatou que não havia computador algum. O grande e grosso cabo, por onde entrava toda  a informação captada pela população, estava conectado à nada, ele apenas saia do chão e ficava apontado para o teto. Na sala só existia um sinistro vazio e ar rarefeito.

 

A verdade impactante era que nunca houve um computador central. Tudo não passava de uma farsa, um mito para manipular e vigiar o povo.  Seu maior choque foi concluir que a  população se auto controlava e que toda a informação captada pelos milhões de terminais iam para lugar nenhum, tudo era um artifício ardilosamente projetado pelo regime comunista.

 

A mentira era tão poderosa que ninguém cogitava que o super Estado comunista era na verdade um produto da imaginação e do medo implantado na cabeça de cada um e mantido real sob esforço contínuo da mídia e dos meios de comunicação. O regime era cada cidadão,  pobre e explorado pelo Estado, controlado por um pequeno grupo seleto de corruptos e psicopatas de funções variadas que viviam em fausta riqueza.

 

A grande massa de informação "inputada" pelo povo era só um artifício para manter todos ocupados e incapazes de refletir sobre o sistema em que viviam, pois passavam a maior parte do dia criticando e julgando seus próprios semelhantes, idolatrando líderes e se vangloriando por serem esclarecidos. Era como uma patrulha ideológica em prol de algo que eles nem sabiam explicar.  

 

As eleições eletrônicas, realizadas nos terminais não elegiam ninguém, pois os líderes já estava definidos através de um planejamento prévio. As eleições assim como todo o resto, eram uma fraude, visando criar a sensação que a população tinha direito de escolha e era ela quem definia o rumo da nação.  

 

Com o tempo a função principal do Estado se concentrou apenas em manter a mentira funcionando e os líderes se alternando no comando.

A mentira se tornou o produto nacional bruto.

 

O computador soviético do futuro, já opera no Brasil e com sucesso.

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