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Re-União 2017

Reflexão sobre o amor.

February 6, 2018

 

Da mitologia à biologia, da química à literatura, da filosofia à política, poetas, músicos, cientistas, ilustres e anônimos, é infindável a lista dos que já falaram de amor. Entender o amor, nos fugazes tempos atuais, parece-me tarefa improvável, senão de acordo com o cristianismo, e vou mais longe, o cristianismo católico. Em nosso tempo a idéia de compromisso foi relativizada e o bem estar priorizado em detrimento da honra e da palavra dada. À luz da doutrina católica, Amor é Decisão.

 

“Eu não posso continuar com uma pessoa que…” – percebe-se nesse tipo de declaração que o relacionamento tem a finalidade de satisfazer o eu, quando na verdade, onde existe o compromisso do amor dá-se o contrário. Os votos do casamento devem ser professados (sim, professados) voluntariamente e desejosamente. “Eu te recebo como meu marido/minha mulher, para amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida até que a morte nos separe” é um compromisso que se firma diante de Deus e da sociedade, mas é antes de tudo uma declaração de amor. Não há aí condições! Não é te recebo se você não fizer tal coisa, é te recebo como vocé é, incondicionalmente.

 

Hoje relativizamos tudo!

 

Tudo depende, tudo é pelo próprio bem estar primeiro, por isso os relacionamentos se tornaram descartáveis. “Ah, mas eu me apaixonei por outra, como posso continuar casado?” Casamento não é brincadeira de criança, é para adultos, e um adulto não pode esperar passar pela vida sem tentações. É evidente que esse tipo de situação acontecerá. Ensinou-me há muitos anos uma queridíssima amiga sobrevivente do holocausto e já falecida: “casamento só dá certo se sua paixão for o seu melhor amigo porque quando a tentação vier (e acredite, virá!) é da ajuda do seu melhor amigo que você irá precisar”. Não pareceria mais lógico que uma pessoa que se comprometeu a amar a outra, ao se ver apaixonada por uma terceira, se dirigisse a seu(a) paceiro(a) não para buscar a separação, mas para encontrar o caminho de volta para aquele coração afastado? Nos dias atuais isso parece absurdo e por isso relacionamentos são desfeitos e muitos corações passam o resto de suas vidas sozinhos e infelizes sem entender o por quê.

 

O significado mais profundo e abrangente da honra faz uma imensa falta na vida atual. Sem entender que ao romper com a palavra dada se está conspurcando a própria honra, sofremos as consequências de tanto, mesmo sem entendê-las ou sequer reconhecê-las.

 

Amor é decisão, é compromisso, e é necessário que ambos tenham o mesmo entendimento deste assunto. Se as cosmovisões não estão alinhadas, dificilmente conseguirão seguir juntos, por terem convicções, crenças, necessidades e práticas discrepantes. Não se pode esperar, e muito menos exigir que um sofra os vícios do outro, que um sofra as inconsequências do outro, mas se estão alinhados, comprometidos com os mesmos valores, e sobretudo, um com o outro, encontrarão a solução, ou ao menos o caminho ao redor dos problemas, cada vez que aparecerem. – A isso se chama amor. Você que provavelmente pulou da cadeira quando eu disse que amor era decisão, agora talvez tenha entendido.

 

A paixão é explicada pela psicologia como a projeção de nossas idealizações em nossos parceiros, o que explica porque durante o estágio da paixão somos comumente atraídos por características físicas, sendo que por uma identificação instantânea ou atração podemos sim ser levados à uma paixão a primeira vista, o que não ocorre no amor. Quando a paixão dá lugar ao amor, as características atraentes deixam de ser físicas e passam a ser morais ou espirituais. A paixão seria então aquela atração movida pelos prazeres físicos, criando o desejo inicial de se estar ou não com alguém, mas com um prazo de validade. Sim, a paixão acaba, mas às vezes, dá lugar ao amor.

 

São Tomás de Aquino nos fala do amor de concupiscência, que entendo ser a paixão, e do amor de benevolência, que entendo ser o amor verdadeiro. Desta maneira, é mais que lógico, é necessário, o ensinamento do Padre Paulo Ricardo:

 

“O amor de concupiscência é quando a gente se aproxima de uma pessoa como um objeto, é agradável, você quer aquilo para si, você quer aquilo que a pessoa pode proporcionar para você; o corpo dela é bonito, ela é simpática, ela é rica, ela é alguma coisa que me dá prazer, mas o verdadeiro amor é o amor de benevolência, é o amor que quer o bem da outra pessoa, por isso não escolha os corpos, eles envelhecem; não escolha os sentimentos, eles passam; escolha as virtudes, escolha a alma correta com a qual você irá realizar uma aliança, para juntos caminharem para o Céu.”

 

Para o judaísmo o amor é servir a Deus. Vejam na Biblia a história de Oséias que obedecendo ao Senhor, desposou uma prostituta, a amou e com ela constituiu família tal qual lhe fora ordenado pelo Criador.

 

Para a Igreja Católica, o amor é sacrifício. Poderia ser diferente? Não foi de Cristo a maior demonstração de amor já dada ao sacrificar sua própria vida pela salvação do homem? Antes de continuar, lembremo-nos que para a Igreja o amor romântico acontece somente entre marido e mulher.

 

Para entender a magnitude do amor entre um homem e uma mulher é preciso lermos em Efésios 5 : 21 “Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo”; 5 : 22-24 a submissão da mulher ao marido; 5 : 25-29 “Maridos amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santifica-la, purificando-a, pela agua do batismo com a palavra, para apresentá-la diante de si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama a si mesmo. Certamente ninguém aborrecerá a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata como Cristo faz à sua Igreja.”

 

Por que uma mulher se sujeitaria a uma vontade que não à sua própria? O que moveria uma mulher a ter como prioridade um homem e não ela mesma? O que seria tão ou mais importante na vida de uma mulher que sua própria vida? Errou se você pensou que trata-se do homem ou do extremo bem querer ao homem. O que moveria uma mulher para além de seus limites é a vontade, a palavra dada, o voto, a escolha, motivada sim por esse sentimento imenso e abençoado por Deus.

 

Ora, por outra, que homem seria merecedor de tal desprendimento e tal dedicação?

 

O homem que entendendo o ensinamento do próprio Cristo esteja disposto a sacrificar a própria vida por sua mulher e pelos filhos dessa união; o homem que a eleve, que a enalteça e que guarde a vida dela antes de sua própria; o homem que esteja disposto a entregar sua vida e seu corpo não somente por sua mulher, mas à sua mulher. E onde o homem encontra esse desejo de servir ao extremo? Onde o homem encontra a força de valorizar sua mulher mais que a si mesmo? Por que o homem derramaria seu próprio sangue e se sujeitaria às piores provações por uma mulher que já lhe é submissa? Errou se você pensou que trata-se da mulher em si,  ou do extremo bem querer a ela dedicado. O que moveria um homem para além dos limites humanos é a vontade, a palavra dada, o voto, a escolha, motivada sim por esse sentimento imenso e abençoado por Deus.

 

Impossível não entender que a atração, o bem querer, o amor ao corpo é a fase inicial que motivará a escolha, a decisão. Sim, a paixão nasce, acontece, mas o amor é decisão.

 

Com essas considerações sobre o que nos ensina a Bíblia, entendo melhor o que Cristo diz no evangelho de Mateus, 19 : 5-6 “Portanto, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.”, ou mesmo no evangelho de Marcos, 10 : 7-9 “Por isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher; e os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu.”

 

Não poderia ser diferente, o amor é para sempre.

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