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Re-União 2017

de direita...

February 10, 2018

 

Ser de direita, no meu tempo, era ser reacionário, vendido aos ianques, apoiador dos porcos capitalistas, da CIA. Para se tornar um cara legal e ganhar as meninas você precisava ser de esquerda. Era então uma época de grandes turbilhonamentos políticos, a estudantada se via heróica e brava, confrontando uns aos outros, nas ruas.

O pessoal da Filosofia, Ciências e Letras contra a Universidade Mackenzie, por exemplo. Safanões, gritaria, pedradas  desafios. Ficou famosa a confrontação chamada:

A Batalha da Maria Antonia, nome da rua onde ela aconteceu.

Logicamente, eu militava contra os granfininhos do Mackenzie. Depois, já na São Francisco, continuei partisan.

 

Naquela época eu tinha um tio que era diretor do jornal Notícias de Hoje, comunista. Fui até ele pedir-lhe uma boca livre, estavam escolhendo um grupo de estudantes “progressistas” para representar a juventude brasileira num encontro internacional, na Polônia. O tal tio nem levantou os olhos da papelada que estava mexendo na mesa. Só balbuciou alguma coisa como “você não é um ativista” e pronto. Adeus Polônia.

 

 

Minha carreira como comunista acabou ali, nesse desapontamento.

 

Fui ficando mais velho, como acontece com todo mundo. Li muito, vi muito cinema, conheci um bando de intelectuais biriteiros que citavam autores que me obrigavam a fingir que estava entendendo o que eles diziam. Comprei O Capital, do Marx, que nunca consegui ler - mas o levava comigo, exibindo-o debaixo do braço. O livro virou o "sovaco ilustrado", como se dizia daqueles que  queriam provar seu engajamento político. O tal Capital era grosso, um calhamaço incompreensível, um sacrifício para ler. Minha cultura política nunca se aproveitou dele. 

 

Resolvi, para melhorar minhas luzes, me matricular Escola de Sociologia e Política, que também ficava ali ao lado da Faculdade de Direito. Ouvia arengas intermináveis, parecia que os professores teimavam em nos fazer dormir, baixando nossa alta excessiva de testosterona. E não tinha nem uma gostosinha na classe. Então, outra profissão perdida: nem advogado, nem sociólogo.

 

Hoje, depois de virar pelo mundo, pelas páginas de muitos livros e convivência com gente da mesma tribo, me tornei um conservador.

Aceitaria até ser chamado de "liberal". Mas “coxinha” é a puta que os pariu.

 

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