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Re-União 2017

Intervenção da sociedade civil organizada

February 19, 2018

 

É bem assim que se faz: o país só começará a vencer a degradação trazida por 15 anos de desgoverno quando a sociedade civil organizada tomar as rédeas do processo, como ocorre neste momento na pequena Fortaleza de Minas, município ao Sul de Minas Gerais...

O bairro rural Chapadão, de Fortaleza de Minas, tem enfrentado nesses meses uma onda de assaltos a propriedades por saqueadores , que invadem sítios e fazendas, rendem e espancam idosos, mulheres e crianças e levam tudo que encontram de valor - máquinas, implementos, móveis, talonário de cheques, cartões de crédito, joias...

A comunidade local não ficou à espera de "intervenção federal"...reuniu-se, estabeleceu um plano de ação e começou a agir...tudo muito consistente, inteligente e corajoso como nos mostra a ata de uma das reuniões da comunidade que me foi enviada pelo amigo Aloisio Gomes da Silveira, cuja família foi uma das vítimas:

Vejam que maravilha:

"Fortaleza de Minas, 31 de janeiro de 2018.

Este boletim é o resumo da reunião entre AMIGOS DO CHAPADÃO, realizada em 31/01/2018, às 18 horas, com a presença de proprietários, administradores e demais funcionários das Fazendas do Bairro, contando, ainda, com a presença do Senhor Prefeito de Fortaleza de Minas, acompanhado de um assessor.

A reunião foi motivada pelos recorrentes episódios de violência a que estão sendo submetidos os moradores do campo, indo desde o furto até assaltos à mão armada, praticados por quadrilhas fortemente armadas, incluindo o tráfico de drogas ilícitas.

O objetivo da reunião foi criar um sistema de proteção local, para atender a segurança dos moradores do Bairro, em defesa da integridade pessoal, patrimonial e da produção (insumos, animais, sementes, colheita, ferramentas e maquinários), garantindo, assim, a permanência do homem no campo e a continuidade da atividade rural.

Foram estabelecidas como metas:

1. Coibir a ação de marginais através do emprego de tecnologia e serviços de inteligência;


2. Criação de barreiras para evitar novas ocorrências;


3. Identificação de pontos vulneráveis;


4. Atitudes proativas de proprietários, administradores, funcionários, fornecedores e prestadores de serviços – Intercâmbios;


5. Parceria com entidades Poder Público, Segurança Pública, Sindicatos, Cooperativas, Associações, etc.


6. Identificação de recursos para patrocinar as ações.

Cronograma de Ação / Implantação de Infraestrutura:

1. Assessoria jurídica dos Municípios para a implementação de ações para regulamentar e atender a segurança dos munícipes da região;


2. Infraestrutura com Comunicação (telefonia, rádio, internet, câmeras de Circuito Fechado de TV, etc.);


3. Construção de barreiras físicas, como porteiras, muros, cercas elétricas, concertinas, valas, arames farpados, telas, etc.), em pontos vulneráveis;


4. Aplicação do Projeto de Segurança Rural da GARMIN / SSP-MG;
5. Troca de Informações e Apoio ao Serviço de Investigação da Polícia Civil;

6. Maior integração entre os destacamentos policiais das Cidades vizinhas;

7. Monitoramento do Corredor de Acesso às fazendas;

8. Patrulha de Vigias entre as propriedades;

9. Fundação de uma Associação de Fazendas para gerenciamento das ações;

10. Contratação de Consultorias e Assessoria Jurídica / Administrativa;

Requisitos a serem avaliados:

1. Seleção de equipamentos de prevenção, avaliação de quantidade e local de instalação:

a. Tipo de alarmes – sonoro, luminosos, etc.;

b. Tipo de Câmeras – Infravermelho, alta resolução, etc.;

c. Pontos de observação / vigia – infraestrutura;

d. Back Up de energia – geradores, no breaks, baterias, etc.;

e. Equipamentos de Comunicação – telefonia, internet, WiFi, etc.;

f. Equipamentos e Sistemas de Gerenciamento da Informação – computadores, servidores, etc.;

g. Barreiras luminosas – holofotes, iluminação local, etc.;

h. Cercas, ofendículos, alambrados ou elétricas, etc.

2. AÇÕES:

a. Inibição ao tráfico de drogas dentro das propriedades;

b. Criar formas e modelos que dificultem a receptação do material roubado (Nota Fiscal na revenda de usados, marcar o chassis de fábrica, identificação patrimonial, manter um canal de comunicação com as revendas, postos de assistência técnica e ação policial);

c. Animais:

i. Colocar chips e marcas visíveis;

ii. Não pernoitar gado no curral ou confinado;

iii. Venda à vista com depósito no banco – não guardar valores na propriedade;

iv. Arrebanhar e fazer a entregar durante o dia somente após a compensação do depósito;

v. Tirar sempre guia de transporte e

vi. Não receber cheques ou dinheiro na propriedade.

d. Não manter consigo dentro da propriedade o cartão de banco e o talão de cheques;

e. Elaborar um Manual de Segurança e Boas Práticas de Prevenção para padronizar ações conjuntas – Polícia, Vigias, Trabalhadores e Moradores;

f. Manejo de cães – raças de guarda;

g. Armas de fogo:

i. Uso e Manutenção sempre sob orientação da polícia – seguir a legislação vigente;

ii. Habilidade para usar – fazer reciclagens e treinamentos em locais com a supervisão da polícia e

iii. Mantê-la guardada - para não cair nas mãos dos marginais.

h. Procurar inserir o campo e a atividade rural na agenda das diversas entidades da sociedade, buscando nelas orientações e apoio;

i. Entrar em contato com órgãos de imprensa local, organização jurídica da OAB, diretores de cooperativas, diretores de sindicatos, demais associações existentes na região e autoridades (prefeitos, vereadores, deputados) e

j. Realização de uma agenda de encontros entre os parceiros para definição de metas, troca de experiências e multiplicação das idéias e ações exitosas.

Conclusões Finais:

As principais ações para atender o proposto são fundamentadas numa integração dos proprietários, moradores, trabalhadores, associações, sindicatos, poder público e seus agentes de segurança, objetivando mitigar as perdas de receitas pelo aumento de custo de produção (seguros – vida e patrimonial, dificuldade de obtenção de créditos para produção e comercialização, diminuição de oferta de mão de obra pela insegurança) e, assim, melhorar a remuneração da atividade (trabalhadores, fornecedores, empreendedores, etc.), gerar aumento da arrecadação de impostos possibilitando maiores investimentos públicos (educação, saúde, segurança e moradia) contribuindo para o desenvolvimento regional.

Importante considerarmos que não faremos muita coisa sem a atenção das autoridades, que devem estar comprometidas com a elaboração e aprovação de leis adequadas ao nosso tempo, e buscar recursos para atender a coletividade.

Vamos fazer deste informal encontro, onde surgiram tantas ideias, nossa união, e procurar sensibilizar a sociedade, nos organizando, repassando nossas experiências a outros grupos, às autoridades, criando uma rede de proteção extensa, para coibir a criminalidade que se está instalando na região, provocando o aumento do êxodo rural, a falência econômica das atividades no campo e restringindo a liberdade do indivíduo.

A segurança se exerce com a atenção de nossos sentidos - olhos e ouvidos - que devem estar preparados para identificar aquilo que é suspeito.

Desconfie sempre do que parece não estar certo, é preciso estranhar. A pior situação para um marginal é ser identificado, desmascarado e reconhecido.

Avise, comunique, sem receio a quem o possa ajudar, as Autoridades Policiais, um vizinho, um amigo ou parente.

A liberdade é a Eterna Vigilância.

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