© Todos os direitos reservados

Re-União 2017

E... o "Oscar" vai...

March 4, 2018

     

    Todo ano é a mesma coisa, a corrida para o Oscar começa, os filmes indicados vem fervendo dos festivais e prêmios paralelos, a crítica alimenta expectativas dizendo que tal longa é "uau!", que outro é "imperdível!", ou "fundamental", e dá-lhe cartazes com estrelinhas e folhinhas de louro.

    Daí quando os mesmos filmes estreiam nos cinemas, o povo vai ver, começam as reclamações. É um tal de filme "méh", "não é tudo isso", "que roteiro merda", "diretor superestimado" e por aí vai. No final todo mundo se frustra porque não há unanimidade, não há nenhuma obra-prima, e porque a premiação será chocha novamente. Na minha timeline há reclamações para todos os gostos. Desde gente desancando o queridinho "A Forma da Água" a até revoltinhas contra "Três anúncios para um crime". Ninguém quase fala mal de "Me chame pelo seu nome", não pelo filme ser ótimo, mas pra não passar por homofóbico. O que eu acho é que todos são bons filmes, nada demais, mas realmente bons, a média é alta. Talvez com exceção de "Get Out" e "Dunkirk" nenhum está acima da expectativa que gerou.

     

    O que pouca gente percebe é que festivais de cinema e premiações são cada vez mais meras plataformas promocionais e menos selos de qualidade confiáveis. Sempre foi assim, mas com o advento da internet, e a popularização das redes sociais, ficou mais difícil um filme estender o hype por mais tempo. O prêmio da Academia é sempre a última tentativa de salvar o caixa.

     

    Acho que é num episódio do seriado "Action" em que há uma cena onde um diretor conversa com um produtor de cinema sobre a possibilidade do longa deles concorrer ao Oscar. O produtor responde "cara, isto aqui é uma superprodução, deixe o Oscar para quem não tem grana pra investir em outdoors". Cruelmente na mosca. Alguém acha que sensaborões como "Doze anos de escravidão" ou "O Discurso do Rei" entrariam no radar da mídia se não tivessem sido premiados? Eles mal entraram com o prêmio, imaginem sem.

     

    Sem contar que a polarização política dos últimos anos levou a academia a tomar as dores do mundo e deixar o critério artístico em décimo-oitavo plano. Não me surpreenderei se Greta Gerwig subir hoje ao palco mais de uma vez por conta do apenas simpático "Lady Bird". É mulher, é bonita, fala bem, e alguém precisa discursar com propriedade sobre o time's up e o me too, tanto faz.

    O cinema? Ora, é detalhe. Espero estar enganado, pagarei a língua com prazer, mas acho que é quase inevitável.

     

    Na verdade a única coisa que eu realmente gostaria de ver hoje seria uma boa homenagem à Jerry Lewis, que partiu ano passado. Seria irônico, mas também o mínimo por alguém que fez tanto pelo cinema. Irônico porque Jerry nunca foi premiado ou recebeu uma indicação em vida – a estatueta da foto  foi honorária e por causa humanitária, não conta – mas ele também nunca precisou ou fez questão.

    Afinal, como gênio que realmente foi, ele conseguia pagar seus outdoors.

      Share on Facebook
      Share on Twitter
      Please reload

      Posts Em Destaque

      Flagrante atentado à ordem pública

      November 19, 2019

      1/10
      Please reload

      Arquivo
      Please reload

      Siga
      • Facebook Basic Square
      • Twitter Basic Square
      • Google+ Basic Square