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Re-União 2017

Carmen de Bizarro, a ópera bufa nacional.

April 3, 2018

Leio estupefata que a autoridade máxima da justiça nacional pede-nos “serenidade, tolerância com as instituições" e que sejamos civilizados no debate, pois “ o fortalecimento da democracia brasileira depende da coesão cívica para a convivência tranquila de todos. Há que serem respeitadas opiniões diferentes”.

 

Essas foram as palavras da ilustre doutora Carmen Lúcia Antunes Rocha, vulgo "Carminha do STF", mineira, brasileira, que há dezoito longos meses desfruta do desprestígio de presidir o tribunal de composição mais achamboado e desprezível da triste história republicana brasileira.

 

Carmen, a pacifista, pede-nos mais calma, enquanto nossos algozes oficiais ficam à vontade para decidir os rumos tortuosos do país da corrupção e da indecência institucional. Indecência que ela mesma não teve coragem de enfrentar, muito embora tenha dito que iria fazê-lo.

 

Carmen, a ponderada, pede-nos racionalidade, enquanto preside o tribunal do despautério. Corte sem compromisso com suas atribuições legais ou com a Constituição Federal. Uma instituição voltada para o compadrio dos corruptos, seus quejandos e que deleita-se no casuísmo da exiguidade, da impunidade, e na certeza máxima do seu poder inquestionável.

 

Carmen, a mediadora, pede-nos compreensão no delicado momento brasileiro para que a política não nos cegue, ou possa nos tornar bichos raivosos contra a casta voraz que nos devora, enquanto acompanha incólume seu tribunal cometer todas as iniquidades contra as liberdades democráticas - estas sim, conquistadas a duras penas.

 

Carmen, a civilizada, pede-nos para respeitarmos as pessoas e suas opiniões, enquanto testemunha prostrada seu tribunal desrespeitar os brasileiros, a Justiça, a Lei, a decência, dando os ombros para a opinião de todo um país.

 

Carmen, a republicana, nos diz que a " República brasileira é construção dos seus cidadãos”, enquanto observa inerte a destruição completa dos valores mais comezinhos de uma ordem desta natureza, nos dando provas cabais de que a nossa República pertence aos corruptos, aos poderosos e a toda a malta que seu tribunal faz questão de proteger.

 

Carmen, a tolerante, pede-nos mais paciência, para aceitarmos de forma resignada nosso destino servil, traçado por homens públicos abjetos e absolutamente sem compromisso com a nação.

 

Assim, Carmen, a politiqueira, nos faz crer que ela curvou-se ao sistema que dizia combater. Da onde mostra a mesma estatura do tribunal que encabeça. A vida poderia imitar a arte e Carmen de Bizet, obra inspirada no romance homônimo do francês Prosper Mérimée, de 1845, onde a heroína, a cigana forte e decidida que, após uma tumultuada relação com o soldado Don José, é morta por ele. Hoje, os soldados ‘Josés’ de nossa Carmen matam a nação brasileira e nossa heroína morrerá com a fama dos covardes ufanos.

 

No livro que dá origem a ópera descrita, Mérimee inicia seu romance com uma citação do poeta Alexandrino Palladas (século 5 d.C.), “Toda mulher é amarga como fel, mas existem duas boas horas: uma na cama, outra na tumba”. No caso, adaptando aos trópicos, a cama da nossa heroína é o Supremo Tribunal Federal e sua tumba se erguerá na história, não como uma brasileira exemplar, mas como uma coadjuvante anêmica, incapaz de fazer cumprir o que cinicamente nos pede.

 

O canto da “Habanera” de lá, trará a Havana pra cá.

"Carmen de Bizarro", a ópera bufa nacional em que nossa heroína se transformou numa péssima protagonista de humor mambembe e vampiresco.

Que ela não nos piche sua maldição: a pusilanimidade dos hipócritas.

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