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Re-União 2017

A grande arma dos jornalistas

May 12, 2018

 

Um dos maiores jornalistas do mundo, em minha opinião, foi o norte-americano John Reed. Tenho por ele uma grande admiração, porque, mesmo sendo comunista convicto, saiu dos Estados Unidos poucos dias antes da Revolução de Outubro e foi para a Rússia.

Depois de cobrir dezenas de greves de trabalhadores e a Revolução Mexicana, decidiu, por conta própria, como freelancer, fazer a cobertura da Primeira Guerra Mundial, na Europa. Ainda no meio da guerra, soube da preparação da Revolução Bolchevique. Viajou para a Rússia, onde conheceu Lênin.

 

Não vou contar a história de John Reed. Quero apenas mostrar que seu trabalho na cobertura da Revolução Russa é um dos melhores modelos de honestidade no relato dos fatos. E, como todos sabem, ele cobriu in loco a tomada do poder pelos bolcheviques em Petrogrado no dia 7 de novembro de 1917 (25 de outubro no calendário gregoriano, ainda adotado na Rússia).

A série de reportagens sobre aqueles episódios históricos se transformou em um livro clássico “Dez Dias que Abalaram o Mundo”, respeitado mundialmente, por sua objetividade, equilíbrio e riqueza de informações e fatos – características que, dificilmente, poderíamos esperar de um repórter comunista convicto como ele.

 

Insisto neste ponto: John Reed é um exemplo de honestidade.

Pesquisei seu trabalho em 1984 na biblioteca do Museu do Ermitage, em São Petersburgo (que ainda se chamava Leningrado) e revi alguns de seus manuscritos e artigos escritos em inglês. Fiquei até emocionado.

Acho que todos os jornalistas – do Brasil e do mundo – deveriam ler o livro de John Reed, mesmo que não sejam especialistas em história política.

 

Embora esse grande repórter não nos dê receitas nem diga como devamos cobrir os grandes (ou pequenos) acontecimentos, eu concluí que suas regras de ouro eram:

 

• Estude tudo que puder e prepare-se com a antecedência possível para fazer todas as coberturas, com a máxima riqueza factual e com o máximo de informação.

• Nas coberturas, limite-se a descrever os fatos com a maior fidelidade, antes de querer interpretá-los a partir de suas convicções políticas, filosóficas ou religiosas.

• A maior qualidade de um jornalista é dizer a verdade. E me refiro à verdade sem adjetivos, sem concessões.

 

Com a experiência profissional de mais de 50 anos, me convenci que raros jornalistas no mundo podem ser protagonistas. Nem John Reed o foi. Aliás, esse não é nosso papel. Somos contadores de histórias ou, se quiserem, escribas, no melhor sentido da palavra. Cabe-nos relatar o que acontece, sem distorcer ou omitir os fatos.

 

Por outras palavras, o trabalho do repórter, por si só, não tem a força de transformar o mundo. Mas pode ajudar a todos que têm esse projeto. Nossa única ferramenta (ou nossa arma, como digo no título) é a verdade da narrativa.

Às vezes até com uma narrativa sem palavras, com a força de uma imagem como a desse jovem Solitário que parou uma coluna de tanques.

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