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Re-União 2017

Somos todos uns estafermos.

May 16, 2018

Ultimamente, ando lembrando de um personagem do grand monde antigo, o Jorginho Guinle. Antes de morrer, disse que tinha calculado mal o tempo da sua vida. Porque acabou o dinheiro antes.

 

O Hotel Copacabana Palace, seu habitat natural, que ele tinha frequentado pelos nos afora, lhe concedeu uma mesa cativa em seu restaurante, onde ele não precisava pagar nenhuma conta. 

Foi uma homenagem à grandeur do Jorginho Guinle dos velhos tempos.

Não sei se essa história é inteiramente verdadeira. Mas é bonito imaginar que foi isso que aconteceu.

 

Nós, os da classe média, somos hoje todos uma paródia do Jorge Guinle. Sem porém ter um Copacabana Palace para se apiedar de nós.

Não imaginamos que o Brasil cairia  no buraco que se abriu debaixo de nós. Parecia que jamais enfrentaríamos o desastre que vivemos hoje.

Um retirante, pau de arara de Garanhuns, analfabeto e bêbado,cavou nossa sepultura sem que ouvíssemos o ruído das pás retirando terra do buraco onde seríamos enterrados. 

 

Mea culpa, deixamos que um indigente moral, se apoderasse da máquina do Estado, juntando ao seu redor a caterva que nos assaltou,empobrecendo o país e retirando nossa dignidade individual. Os canalhas fizeram um bom serviço. Aparelharam todos postos de mando e se puseram a roubar diuturnamente, sem que nós nos déssemos conta do estrago que seguia acontecendo.

Pior anda: deixamos que a corrosão não só material, mas psicológica e moral seguisse sua rotina de destruição, sem que reagíssemos à tempo.

 

Os canalhas foram espertos, se esperteza é só pensar egoisticamente em si próprios, se apoderando de tudo e nos deixando os restos: o desemprego inacreditável, as instituições derrotadas por personagens sem nenhum  sentimento de culpa, psicopatas que saquearam o futuro de toda a nação. Um  STF que se desmoraliza por hora. 

Hoje, faz um ano da delação do Joesley/JBS - e daí?

Paulo Preto operador do PSDB e Milton Lyra operador do PMDB soltos

pelo ministro Gilmar Mendes. Espanto!

 

Os ratos vorazes continuam  a morder pedaços de nossa carne. Eles são onipresentes. O senado é deplorável, o executivo é deplorável, a justiça é deplorável, as Forças Armadas mudas, inoperantes - vivemos num mundo deplorável.

 

Tem uma Venezuela, logo ali, vizinha parede-e-meia conosco.

Lá a bandidagem, o poder da droga, o leilão das riquezas naturais, a subjugação do Estado a mãos estrangeiras, a miséria dramática do povo açoitado pela fome, o  comunismo cubano assassino da cidadania.

Tudo aconteceu num processo de desintegração que é um exemplo para que reajamos antes que chegar à mesma situação catastrófica de lá. 

 

Mas parece que continuamos num estado de catatonia, de inércia abandonada, sem remédio nem esperança.

Somos uns estafermos e merecemos um presente que anuncia um futuro pior ainda.

Se você não lembra do significado da palavra estafermo, vá ao dicionário. E verá lá descrito o estado de burrice e lerdeza moral em que estamos metidos, todos.  

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