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Re-União 2017

Narcomilícia

May 21, 2018

 

 

Eu não sei se as pessoas se deram conta do que aconteceu esse fim de semana no Rio de Janeiro com a ação das forças de segurança na região da Praça Seca. Não sei se perceberam que muito mais do que uma de muitas operações, esta ação tem um significado político.

O que o Exército está dizendo nas entrelinhas de sua ação é o seguinte: o maior problema da Segurança Pública do Rio de Janeiro hoje não é o tráfico de drogas. É a milícia.

 

Assim como o tráfico, a milícia também é uma forma de poder paralelo.

Mas diferentemente do tráfico, que mobiliza seus recursos em torno de apenas uma atividade (o comércio de drogas) ,a milícia tem a pretensão de dominar todos os aspectos da vida de uma comunidade, começando pelos serviços que ela consome: gás, água, TV, Internet, comércio local, serviços de delivery.

 

Naquela região da Zona Oeste do Rio a milícia cresceu ao ponto de tratar o tráfico de drogas como apenas mais um dos serviços que passariam ao seu controle, numa arquitetura que já vem sendo chamada de "narcomilícia".

 

Desde que a intervenção federal começou no Rio, as declarações dos comandantes militares e a reorganização nos quadros das polícias mostraram que as prioridades mudariam. O que estamos vendo agora são os resultados práticos dessa mudança.

 

Isso nos remete ao debate das primeiras semanas de intervenção, quando a esquerda adotou a filosofia de não-comi-e-não-gostei. Pois o que o Exército está fazendo agora é o que lideranças e teóricos de esquerda sempre defenderam (ao menos a parcela mais responsável da esquerda que se posiciona em questões de Segurança Pública).

 

O combate à milícia com essa intensidade jamais seria possível se no comando das forças de Segurança estivesse um governo pateticamente fraco como o de Luiz Fernando Pezão. A cúpula da PM antes da intervenção não tinha vontade e/ou poder para afrontar os milicianos.

Se Marcelo Freixo tivesse sido eleito governador do Rio, provavelmente não conseguiria liderar ações como as ordenadas pelo general Braga Netto, mesmo que quisesse.

 

Esperar auto-crítica da esquerda é perda de tempo.

Eles não vão dizer que se apressaram nas críticas à intervenção, como não vão dizer que erraram no Petrolão, no Mensalão, no Muro de Berlim ou nos gulags. Mas talvez possam dizer que apoiam pontualmente as ações dos interventores. E assim ajudariam a criar um consenso no Rio de Janeiro: o combate à milícia é prioridade para a retomada da paz.

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