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Re-União 2017

Indignidades

July 13, 2018

Por não ter compartilhado minha vida com pessoas envolvidas

em política e filosofia, quando jovem - ou mesmo por falta de neurônios funcionantes - me deixei levar por quimeras, diria, fisiológicas. 

Me encantei com o que o mundo me dava, indo atrás do que achava que merecia, focinhando por deixar de ser o menino pobre do passado.

Minha fama era de ter talento criativo. E então fiz uma carreira de publicitário. Me deixando, assim, ficar hipnotizado por fulgurâncias e brilhos, permanecendo cego voluntariamente.

 

O entendimento das coisas do mundo me veio devagar, passando por muitos adiamentos de consciência. E agora me sobra a poeira levantada por esses atritos de mim comigo mesmo, que reduziram meu espírito, sufocado em números de showbiz.

Mas vou clareando aos poucos o meu universo, sem arrependimentos excessivos de todo o acontecido e que me transformou no que hoje sou

e não posso evitar ser. Nada de suicídios assumidos, portanto.

 

Mas sabe porque estou aqui, hoje, abrindo uma fresta estreita do meu interior? É porque prosaicamente li, de madrugada, uma recomendação do Fernando Henrique Cardoso. Ele é velho que nem eu. E me obrigou a uma revisão profunda. Ele insiste agora num casamento entre o PSDB e o PT, “para enfrentar a onda conservadora”. É espantoso, obsceno. Depois de investir tantos anos formatando uma figura aparentemente sóbria e inteligente, ele revela a si mesmo.

 

O FHC deve ter mentido muito para si próprio - para conseguir ser convincente em sua farsa de democrata. O homem obsequioso que sempre fingiu ser, agora aparece com absoluta nitidez. Ele é um comunista da espécie do Fidel, do Pinochet, do Chavez, do Stálin.

Acho que se tivesse tido coragem, quando mais jovem, teria se juntado fisicamente aos déspotas de esquerda que jogavam os adversários contra um muro - e os fuzilavam. 

 

Não tenho orgulho do que fui. Mas, me esforcei para nunca disfarçar sobre mim mesmo. Usei meus erros para me tratar - e à minha vaidade, estultice. 

Mas ao Fernando, nego o crédito de ter sido um homem que, algum dia, exerceu qualquer tipo de auto-crítica. Gravata arrumada, boca mole e a repetição mecânica de seu balbuciar esquerdóide, fizeram-no acreditar na imagem que ele criou para si mesmo, a fim de enganar o mundo.

 

Ele nunca deve ter dito, jamais, a sua verdade profunda. Foi um estranho

de si mesmo, um fantoche politicamente correto que tocou sua vida com recorrentes mentiras. Morrer, todos vamos. Mas morrer sem nunca ter-se reconhecido, isso é o inferno.

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