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Re-União 2017

O fim do humor

July 21, 2018

Paul Joseph Watson atacando com precisão a modinha do "woke comedy", ou "humor consciente", aquele que se disfarça de humor e não passa de discurso barato sobre alguma causa nobre ou orientação política.

Claro que a onda chegou ao Brasil e está derrubando a audiência e afastando o público por onde passa.

O motivo é simples: humor "consciente" não tem graça.

 

As comédias inglesas e americanas estão sofrendo agora na pele por terem embarcado no barco furado. Hollywood não emplaca uma comédia decente há quase uma década por tentar não ofender ou desagradar ninguém. Passou de gênero campeão de bilheteria a carro-chefe de vendas diretas para o VOD. Desde "Se beber não case" nenhuma outra comédia emplacou ou liderou bilheteria mundialmente. Todas as comédias americanas do primeiro semestre deste ano não renderam metade do esperado. Títulos sensaborões como "A Noite do Jogo", "Te peguei", "Sexy por Acidente", conseguem apenas se pagarem por conta da divulgação e com a grana forte das vendas internacionais.

Mas sucesso? Repercussão? Esqueça.

Ninguém mais ousa dentro do mainstream.

 

Neste sentido, azar o dos americanos e melhor para nós, pois as cinematografias locais estão surfando neste vácuo. Haja vista o sucesso popular das comédias européias em seus países de origem e das brasileiras por aqui.

Isso ocorre porque os estúdios de Hollywood hoje são escravos de analistas de projetos e leitores de roteiros progressistas que matam qualquer idéia possivelmente engraçada no nascedouro.

Ao virem com suas determinações de não ofenderem ou desagradarem ninguém, não deixam a graça surgir. Isto tem acontecido no Brasil também, em menor escala, mas já derrubaram algumas comédias que entraram em cartaz. Mais uma vez: bem-feito pra quem embarcou nessa. Eu não tenho pena de produtor ou comediante que paga pedágio ideológico.

A turma do "woke comedy" ainda não se tocou, mas existe um termo claro para comédias que não ofendem nada e nem ninguém: inofensivas.

E humor inofensivo é a morte da comédia. O humor precisa bater na cultura dominante para sobreviver. O problema é que muita gente ainda tem dúvidas de qual é, hoje, a cultura que realmente domina.

Sempre que o assunto surge em uma discussão e vira polêmica, eu digo que é muito fácil descobrir: faça uma piada. Não precisa ser boa, nem engraçada, nem fazer sentido, nada. Apenas isso: faça uma piada.

Se você for criticado, odiado, perseguido, massacrado, perder seu emprego, seus fãs e até seus amigos, você descobrirá rapidinho qual é a cultura dominante, não se preocupe...

 

Alguns iludidos, a maioria jovens sem muita cultura e informação, afirmam que estamos diantes de um novo tempo e a um passo de uma nova era, de um novo tipo de humor, de uma nova geração que irá rir apenas das coisas corretas.

Sinto dizer, mas essa garotada é prato cheio para enganadores.

 

O audiovisual atual é terreno fértil para picaretas ideológicos, aquele tipo de humorista que é péssimo no que faz, mas por defender uma causa progressista, ou uma minoria, torna-se incriticável e garante seu espaço. Sempre que vejo um destes em ação eu me lembro de uma das mais clássicas frases do Millôr, "desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal". Quando vejo humoristas fazendo piadas politicamente corretas para se manterem em seus empregos, ou abraçando causas solidárias e de minorias em suas colunas, ou expondo sofrimentos pessoais para alavancarem seus livros e shows, sei que estou diante de uma fraude.

 

Mas fazer o quê? Cada época tem seus embustes, nossa obrigação é perceber o mais rápido possível quem são. Tenho pena apenas de quem está comprando este discurso, e este tipo de comediante, e não percebe que está gerando o efeito contrário do desejado. Porque assim como não se faz omelete sem quebrar ovos, não se faz humor sem quebrar padrões. Isto acontece porque o humor nasce de nossos incômodos, sejam justos ou não, é uma reação necessária, é o eterno jogo entre tensão e alívio.

Talvez seja a forma mais leve e inteligente de se lidar com um problema, de observá-lo por um lado diferente, e de aliviá-lo através do prazer do riso.

 

Quando alguém faz uma piada, qualquer que seja, ela libera uma energia antes tensionada e transforma algo ruim, negativo, em algo positivo, e divertido. Em um exemplo bem básico, quando alguém escorrega em uma casca de banana, e morre, é uma tragédia. Mas quando alguém escorrega e não morre, você ri do escorregão, para aliviar a tensão gerada pelo perigo iminente. O riso, o humor, neste sentido, é uma válvula de escape.

Se você não permitir que uma sociedade não ria nem mesmo de um escorregão, por ser "algo errado", sinto muito, essa tensão ficará acumulada e acabará tornando-se outra coisa, normalmente algo pior do que o riso.

A lógica é clara: quanto menos pudermos rir de tudo, ficaremos tensos até com o nada.

 

Eu não tenho dúvidas de que o fim da liberdade humorística está ajudando a criar uma geração além de tensa, ressentida, mal humorada, infantilizada, sem capacidade mínima de lidar com a frustração, e abraçando causas de forma fanática pelo o que surgir pela frente, seja política, seja religião, seja discurso progressista.

 

Não se chega a tanto radicalismo do nada.

Quanto mais proibirmos piadas, quanto mais condenarmos comediantes, quanto mais nos doermos por qualquer brincadeira que seja, ainda que ofensivas e de mau gosto, mais próximos estaremos do fanatismo que tanto dizemos odiar.

Porque quando se proíbe o riso de entrar no recinto, é muito fácil o ódio tomar conta. Sinto dizer novamente: já está acontecendo.

 

Fiquem com o vídeo.

 

 

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