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Re-União 2017

Vantagens e desvantagens da nova era midiática

July 23, 2018

 

Os impressos caminham, inexoravelmente, para o nocaute.

E junto com eles segue a TV aberta – dentro de 10 anos, se tanto, não restará nenhuma delas em pé.
Em lugar dos impressos, surgem os canais de informação, há 25 anos atrás definidos como “informadutos” pelos professores da Universidade de Navarra, na Espanha; e em lugar da TV aberta virão os canais mundiais de entretenimento, do tipo Netflix.
O que perderemos e o que ganharemos com essas mudanças de base?
É impossível falar em perdas sem rememorar o Caso Whatergate.

Alguém se lembra?

UM JORNAL DERRUBOU NIXON
Watergate é um exemplo extraordinário para nos mostrar o poder de fogo que os impressos já tiveram: um único jornal, o Whashington Post, e dois ótimos jornalistas - Bob Woodward e Carl Bernstein – levaram o presidente dos EUA a renunciar no início de seu segundo mandato.
O jornal, através de um esforço de apuração corajoso e persistente, conseguiu provar o envolvimento do candidato à reeleição do partido republicano, Richard Nixon, num caso de espionagem no comitê de campanha do partido adversário (Democratas) instalado no edifício Watergate, em Washington...
O Caso Watergate ocorreu em 1972. E talvez tenha sido o pico da cordilheira do bom jornalismo no mundo...De lá para cá, a imprensa passou por um processo de declínio lento mas contínuo. Foi perdendo sua força institucional.

DIFERENÇA COM 2016
Ainda em 2016, nos EUA de Watergate, a imprensa fez grande alarde com as primeiras denúncias de que a Rússia por Internet (sempre ela!) interferiu no pleito para favorecer Donald Trump mas já não conseguia alterar o rumo do processo eleitoral – Trump elegeu-se, tomou posse, governa com naturalidade e, de vez em quando, parece brincar com quem o ataca.
No célebre encontro com Vladimir Putin, na primeira semana de julho de 2018, inocentou a Rússia das acusações de interferência na campanha americana. Voltaria atrás, dias depois, mas pode-se dizer que ele não está nem aí para o que diz ou deixa de dizer a imprensa de seu país.

ERA DO PRATO PRONTO
Aqui no Brasil, a imprensa entrou, passados poucos anos após Watergate, na “Era do Prato Pronto”, ou seja, aparenta estar sempre à espera que alguém lhe entregue a denúncia completa, devidamente documentada...

Já quase não investiga mais.
Em plena época da Lava Jato, o que se vê é um jornalismo apático, incapaz de se antecipar aos fatos e ávido por nadar de braçada nos vazamentos das delações premiadas.
Avaliando por aí, a perda que o fim do meio impresso impõe às sociedades modernas é enorme...Só o meio impresso tinha a capacidade real de tornar pública uma denúncia e de constranger, às vezes extremamente, as pessoas e instituições denunciadas.

SAIU NO PAPEL, ERA VERDADE
Durante muito tempo, o meio impresso, por suas características, era o certificador da verdade. Saiu no jornal ? As pessoas se perguntavam, para só depois confiar na informação.
Essas características se mantiveram mesmo com a expansão das cidades e a incapacidade da indústria de jornais e revistas em expandir tiragens e distribuição. A banca de revistas era a referência: as pessoas passavam pela calçada e os jornais expostos sugeriam a leitura de manchetes e davam o tema das conversas no emprego, nos bares e restaurantes. Por maior que fosse a cidade, ninguém ficava indiferente. As bancas estavam em toda parte.
As manchetes do papel ou a capa das revistas já nascem envelhecidas e perdem valor e atualidade a cada hora que passa. As bancas, hoje, entraram no celular, no tablet, no computador. As denúncias atingem muito mais gente, mas ficam ali escondidas, não explodem e não são esfregadas na cara de ninguém. Portanto, não constrangem mais, perderam grande parte de seu poder transformador.

VERDADE OU MENTIRA?
E como elas, as denúncias, aparecem sempre misturadas a fakes, fraudes e mentiras que infestam a Internet, surgem já sem força e quase sem credibilidade.
“Isto é verdade ou coisa da internet?”, as pessoas ainda se perguntam.

“É fraude, é mentira dos canalhas que querem me atingir”, costumam dizer os corruptos.
Tem crescido, por outro lado, o regime de curadoria da informação. É a busca do resgate da credibilidade da informação que circula pelas redes.
Curar significa colocar um jornalista de respeito para ler e certificar a informação. Nasce daí a ideia de que as grandes marcas jornalísticas – Veja, Estadão, Folha, O Globo, Zero Hora, Correio Popular, Jornal da Bahia, etc etc etc – poderão ter a nobre função, nesta fase de pós-impresso, de funcionar como curadorias ou certificadoras da informação que corre pelas redes.

REMUNERAÇÃO, O GRANDE NÓ
Informação de qualidade era, é e continuará a ser um insumo caríssimo e a Internet já produziu estragos enormes no antigo modelo de negócio do meio impresso, feito de publicidade com esteio fortíssimo nos anúncios classificados.
Washington Olivetto usou a seguinte metáfora em recente palestra para falar do estrago que a internet produziu no mercado publicitário: "Trabalhar em publicidade hoje é como chegar a uma festa e ver que todos os cinzeiros estão lotados e as mulheres bonitas já foram levadas embora!"

Tanto do ponto de vista dos jornalistas como dos publicitários, está claro que o negócio da informação terá de ser reinventado. Se a Internet tirou com as duas mãos, ela já devolveu com uma: toda a sociedade está em rede, de modo que a empresa jornalística que souber fazer uma cobertura inteligente das redes sociais, conseguirá produzir bons insumos a custos bem palatáveis...

O esforço a partir de agora é fazer com que a Internet devolva também com as duas mãos, ou seja, saber aproveitar pra ganhar dinheiro a conectividade que ela tem produzido com abrangência e criatividade espantosas. E tem gente que já faz isso com sucesso mundo a fora!

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