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Re-União 2017

A dificuldade em ver no comunismo uma doutrina maléfica

July 31, 2018

Qual é a dificuldade de ver no comunismo uma doutrina maligna, ditatorial, totalitária e assassina?  
O comunismo é, sempre foi, e sempre será uma doutrina cruel, depravada, maligna, desumana, autoritária, irascível e inerentemente ditatorial.

Não é sem razão ou motivos, por exemplo, que o comunismo é proibido em praticamente todo o leste europeu.

Em paises como Romênia, Moldávia, Ucrânia e Polônia — que vivenciaram em seus territórios todo o horror deste deplorável e infame sistema político tirânico, agressivo, invasivo, sádico e violento, que se vangloria em causar incomensurável sofrimento aos indivíduos que tem o infortúnio de viver sob o seu jugo — o comunismo é ilegal, sendo completamente proibida a exibição pública de símbolos comunistas.

 

Até mesmo uma camiseta com a estampa do terrorista argentino Che Guevara pode levar o transgressor ao cárcere.

Há aproximadamente dois anos, a Polônia proibiu qualquer referência nos espaços públicos a elementos reminiscentes do período stalinista.

Inclusive, atitudes foram tomadas por parte do governo para alterar nomes de ruas, monumentos e demais adereços no espaço público, com a finalidade de erradicar de forma definitiva toda e qualquer referência ao comunismo. 

Mas, se o comunismo é tão nocivo e maligno, por que ele é tão difundido no Brasil?

Sabemos que aqui no Brasil, a esquerda detém o monopólio da educação no sistema de ensino — seja ele de caráter público ou privado — nas escolas e universidades, que acabaram convertidos em politizados anfiteatros de doutrinação.

É evidente que o comunismo não será atacado ou questionado nestes ambientes, onde a esquerda possui incontestável hegemonia, como jamais foi, em qualquer escola, faculdade ou universidade nacional.

No ano passado, um evento marcado na Universidade Federal de Santa Catarina, que expunha de forma franca e aberta os horrores históricos do comunismo, e que tinha como um de seus palestrantes convidados o embaixador da Ucrânia no Brasil, teve sua realização cancelada.

Isso não surpreenderia ninguém que realmente compreende quão profunda é a hegemonia da esquerda no país, especialmente nos ambientes de ensino, que foram todos convertidos em bunkers de doutrinação.

 

Como a esquerda é muito atrativa para os jovens por seu caráter revolucionário, sempre foi muito fácil para marxistas inveterados atrair novos súditos. Mas todos eles, evidentemente, tomam o cuidado de ocultar deliberadamente todos os aspectos negativos direta ou indiretamente relacionados ao comunismo. Portanto, a grande maioria dos jovens que sente alguma simpatia ou afinidade pelo comunismo foi cooptada por alguém com conhecimento muito superior, que deliberadamente omitiu informações relevantes.

  

O que doutrinadores omitem é o fato de que o comunismo sempre esteve, e sempre estará, evidentemente, intrinsecamente ligado ao totalitarismo, sem o qual não poderia existir.

Deste componente crucial para a sua existência, deriva todo o seu horror. A anatomia funcional do comunismo exige isso, pois, na ausência deste elemento fundamental para a consolidação da doutrina comunista, as pessoas teriam liberdade. E com a liberdade, vem a desigualdade, algo natural e inerente a uma sociedade livre, e que não é necessariamente ruim — afinal, é necessário lembrar que a pobreza é algo negativo a ser combatido, e não a desigualdade, e elas não são a mesma coisa; este é um conceito que a esquerda tem subvertido, e confundido com sagacidade e maestria na cabeça das pessoas — e também a existência de uma hierarquia de classes, outro elemento natural a uma sociedade heterodoxa e desigual, que é igualmente vilipendiada e repudiada pela doutrina marxista.

 

Estes dois componentes, para serem suprimidos, implicam em um estado com leis, regras e dirigentes muito fortes, que detém um grande poder. Só assim é possível impor, através de toda a sorte de decretos brutais, um igualitarismo forçado à sociedade, pois naturalmente, ele não tem como existir. Desta forma, o estado também se reserva o direito de remover fisicamente, até mesmo eliminar, quem ousar se opor a esta ordem, o que comprometeria a uniformidade forçada imposta à sociedade, e que poderia levar outros indivíduos a se rebelar.

 

Este sistema, evidentemente, em decorrência da completa e total ausência de liberdade, invariavelmente acaba gerando e difundindo um colossal e inexpugnável nível de miséria por toda a sociedade, já que a liberdade econômica é igualmente inexistente. Até mesmo o trabalho pode ser mal interpretado e criminalizado; afinal, se um indivíduo trabalhar demais, pode acabar acusado de ser uma pessoa imoral e gananciosa, ávida por enriquecer. Ou, se for um empregador, pode ser considerado um burguês famigerado obcecado por lucros. Como, em função de perspectivas desta natureza, o trabalho pode ser hostilizado, a produtividade de qualquer país comunista — somada a quase que total ausência de capital privado — é inexpressiva. Evidentemente, como a história nos mostra, toda esta igualdade forçada nunca se aplica aos dirigentes governamentais e a alta hierarquia do partido que está no poder, ditando regras, pois estes sempre vivem no mais ostentatório luxo, e no mais libidinoso conforto, do qual a grande maioria da população é destituída pelo sistema de escassez engendrado pelo estado. 

 

O que a grande maioria dos simpatizantes do comunismo — especialmente os mais jovens — é incapaz de perceber, é que o objetivo do comunismo não é produzir uma sociedade mais justa, tampouco solucionar os problemas que afligem a sociedade humana. Isso não passa de propaganda para atrair os incautos. Sob prerrogativas ingênuas, mas que a princípio podem parecer verossímeis, o comunismo nada mais é do que uma formidável e eficiente plataforma para o poder político.

 

O economista Thomas Sowell afirmou:

"O que Marx realizou foi produzir uma visão tão abrangente, dramática e fascinante que pudesse suportar inúmeras contradições empíricas, refutações lógicas e repulsões morais em seus efeitos. A visão marxista tomou a esmagadora complexidade do mundo real e fez as partes se encaixarem, de um modo que era intelectualmente estimulante e conferiu tal senso de superioridade moral que os oponentes poderiam ser simplesmente rotulados e dispensados como leprosos morais ou reacionários cegos. O marxismo foi — e continua sendo — um poderoso instrumento para a aquisição e manutenção do poder político. 

Gostaria de citar também uma ótima frase de Olavo de Carvalho, que resumiu em poucas palavras o que o comunismo realmente é:

"O comunismo não é um grande ideal que se perverteu. É uma perversão que se vendeu como um grande ideal."

 

Os elementos mais preponderantes que permitem que uma doutrina tão nefasta como o comunismo continue tendo plena aceitação  — ao menos em um país como o Brasil — envolve todos os fatores concernentes à doutrinação sistemática realizada em ambientes que deveriam ser de ensino, mas que transformaram-se efetivamente em campos de doutrinação.

 

Os componentes fundamentais para se perpetuar a doutrina estão todos nas salas de aula deste país: o público alvo é um público jovem, vulnerável e suscetível ao conteúdo apresentado, e transmitido com a deliberada supressão de informações inconvenientes. O fato dos estudantes em geral serem incentivados a serem "bons alunos" — de forma a aceitar passivamente, como cordeirinhos obedientes, o que os professores lhes transmitem —, ao invés de serem estimulados a pensar, racionar, pesquisar por conta própria, questionar e contestar o conteúdo, contribui para agravar o problema. Basicamente, o que se faz é manter os doutrinados encerrados na mais coesa, densa e sofrível ignorância, e pavimentar suas mentes com elaboradas restrições cognitivas, para que jamais questionem à respeito do que estão assimilando.

 

Nos raros casos em que um estudante descobre, e decide contestar com argumentos, todos estes fatos pertinentes ao comunismo, bem como os regimes totalitários que gerou e os milhões de pessoas que matou — em sua maioria de fome — o doutrinador consegue iludi-lo com aquela velha máxima que todos nós conhecemos: "mas isso não era o verdadeiro comunismo". Deixa-se implícito o falacioso argumento de que todos os experimentos comunistas anteriores falharam, mas que este pelo qual eles tanto lutam, vai dar certo. 

 

O diagnóstico é fácil de apresentar. A solução do problema, por outro lado, nem tanto.

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