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Re-União 2017

Cruz credo

August 9, 2018

Nas eleições, o líder político faz convergir sobre si todas as expectativas.

O sujeito passa a encarnar uma quantidade mastodôntica de esperanças daqueles que - até aquele momento - não haviam se manifestado sobre como o país estava sendo dirigido. 

E quando decidem fazê-lo, quase sempre é muito tarde. Nessa hora, uma ditadura disfarçada já se estabeleceu. Inclusive nas comunicações.

É esse nosso momento. Estamos algemados, perdemos nossa chance de nos colocar enquanto ainda havia tempo. Agora sobra só reclamar no vazio.

 

Nosso congresso, reconhecido como falido, continua trocando favores entre si, eternos espertalhões praticando seu reles comércio, vendendo leis e privilégios. Um STF de respeitáveis togados impõe sua vontade, com  juízes escolhidos por políticos que são seus verdadeiros donos. 

Culpas antigas de uma Constituição que não previu as consequências de permitirem a Lei ser servida politicamente por  indivíduos mais preocupados consigo mesmos do que com a Justiça. Não representam ninguém e ficam lá bostejando, inamovíveis e vitalícios.

 

As leis eleitorais foram cuidadosamente  feitas para dividir o poder entre os mesmos  políticos e facções, tudo alimentado pela corrupção. E repetem-se os golpes daqueles que dominam a burocracia, através da manha, da safadeza e do mau-caratismo. 

 

O regime presidencial segue apodrecido, desprezado pela opinião pública. Dizer que se trata de um navio soçobrando ainda não é suficiente para defini-lo em toda sua desgraça.

E há como que uma corrida afobada do “sistema” aos cofres da Nação, conosco pagando a conta através de altos impostos, sem que a sociedade tenha de volta minimamente um atendimento público honesto. 

 

Existe, nestas vésperas de eleições, uma pirâmide social invertida sobre os candidatos à presidência da república - como se eles pudessem, de um momento para outro, resolver todos os problemas. 

A imensidade do lixo aqui acumulado - por culpa da costumeira alienação da sociedade - nos empurrou para a insolvência moral do “salve-se quem puder”. Iremos votar nesse melancólico estado de espírito. Mas mesmo essa eleição, insuficiente remédio para nossa fragilizada democracia, foi destroçada pelas urnas eletrônicas e as fake-news. 

 

Chegamos assim nas vizinhanças de uma infeliz Venezuela.

Os brasileiros mais espertos já foram embora do país - ou estão indo. Morar aqui virou uma sina, um sofrimento e desilusão permanente.

Mas pode ser que o quadro político possa mudar um pouco e consigamos alterar o destino a que estamos fatalmente programados. Quem sabe?

 

Talvez.

Vou votar, sem fé. E estamos nos afogando numa economia tsunâmica, glub-glub-glub. Se pudesse, mandaria rezar uma missa para os que vão assumir a Nação, para inspirá-los a uma espécie de piedade pelo povo que, atarantado, não sabe para onde se virar.

Que não se vire ainda mais, cruz credo, em direção ao Inferno. 

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