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Re-União 2017

Amoedo,o novo inimigo

August 28, 2018

Se o Amoedo começou a incomodar, só tem um responsável: o Bolsonaro. A lição pode ser aprendida no boxe. Lá, tem mais chance de ganhar aquele que sempre vai mudando a maneira de lutar, surpreendendo o adversário. Se o outro perceber que você tem um padrão fixo de bater e se defender,  ele vai aproveitar uma brecha e pode até te mandar a nocaute.

 

O primeiro sinal que o Bolsonaro mostrou de estar com a guarda baixa  foi num desses debates, quando alguém lhe perguntou sobre educação. Sua resposta foi decepcionante. Ele respondeu defendendo o ensino das escolas militares. Ora, isso é muito reducionista. 

O Bolsonaro precisa mudar seu cardápio de respostas. Até porque apareceu um adversário inesperado que - se não vai ganhar a presidência - pode causar um enorme estrago. Ele está se propondo como uma alternativa à direita, que oferece um forte contraste ao estilo do Bolsonaro.

 

Os argumentos do Amoedo podem ser convencionais. Mas ele passa a impressão de possuir um ótimo nível intelectual. Fala sem arremedos populistas, quase professoralmente. Percebi isso na entrevista que ele deu na Band: até os entrevistadores, habitualmente desafiadores, trataram-no com um cuidado respeitoso, pisando sobre ovos.

 

Posso resumir minha impressão de todo esse affaire numa antiga cena de filme que vi sobre as Cruzadas:

-Ricardo Coração de Leão, líder cristão, dialogava então com Saladino, o líder árabe, debaixo de uma tenda. Tentando impressioná-lo, Ricardo manda colocar uma grossa barra de ferro apoiada em dois cavaletes. Tira então sua enorme e pesada espada e dá um golpe poderoso sobre a barra que se rompe. Silêncio espantado. Então Saladino pede que alguém lance ao ar um lenço de seda, levíssimo. E quando o lenço vem flutuando no ar, ele puxa sua cimitarra, de lâmina fina e curvada e num movimento delicado do pulso, corta o lenço ao meio, antes que ele caia no chão.

 

Bolsonaro é o Ricardo Coração de Leão, claro. E Saladino, o Amoedo, que está cortando lenços de seda na frente das câmaras de tv.

O Bolsonaro não pode menosprezar esse novo desafio. E precisa contra-atacar explicando didaticamente, ele mesmo, seu programa de governo. E não o Paulo Guedes.

A camada mais escolarizada da nação apoia o Bolsonaro. Mas pode começar a bambear, ouvindo do Amoedo suas propostas óbvias - mas oportunas. Eu sei que bater duro no Amoedo, sendo ele um cavalheiro que não ataca ninguém, seria uma burrice. 

 

Mas... e se o Bolsonaro decidir dar uma trégua nisso de cavalgar nos ombros dos correligionários  e mudar seu discurso, tornando-o mais claro e didático? E assim ele estará respondendo não só ao que esperam  seus eleitores. Mas aos outros candidatos, também, todos eles de uma só vez. Por que não tentar?

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