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Re-União 2017

Mocinhos e bandidos

September 13, 2018

 

Domingo à tarde tinha matinê no cinema. Eu aguardava ansiosamente a chegada desse dia. Era quando eu ia encontrar meus heróis, caubóis com dois revolveres no cinturão. Cavalos galopando, bares cheios de homens maus, bebidas, jogo. O mocinho sempre sacava mais rápido e o bandidão não tinha chance. Tudo no filme era muito satisfatório e o mocinho invariavelmente ganhava nos tiroteios. Talvez com um tiro no braço, mas a mocinha depois enfaixava, antes deles se beijarem. O do mal, ficava no chão, devidamente baleado. The end.

 

Sinto falta daqueles filmes. Agora mesmo revi Shane, era com se eu tivesse voltado aos 10 anos, outra vez. As histórias de bangue-bangue sempre me fascinaram. Talvez fosse por causa das aventuras, onde o bem invariavelmente ganhava do mal. Os filmes já vinham decodificados: o mocinho usava chapelão branco e o bandido de preto. A expressão do seu rosto era sempre só maldade. E o mocinho...bem, quando eu crescesse, queria ser como ele.

 

Agora minha vida é que virou um bangue -bangue. Mas não sei mais distinguir os personagens, os do bem, e os do mal. Assim, estou sempre com a mão no coldre, pronto para sacar e atirar, sem pensar.

Nada é preto nem branco. Os roteiros são confusos, vou tocando minha vida em perplexidade. Quero me convencer que continuo distinguindo a cor dos chapéus e que isso me dá alguma certeza de só atirar nos vilões. Mas no fim do dia minhas mão estão sujas de sangue que não consigo lavar.

 

Agora, o mocinho Bolsonaro está no hospital, caído.

O lula, na cadeia - mas muito amigo do juiz da comarca.

O Alckmim, sempre com seu sorriso untuoso e falsamente solícito, fica difícil saber quem ele é.

O Ciro, no saloon, joga poker com cartas falsas.

A Marina caiu da diligência, perdida, talvez consiga emprego tocando a pianola desafinada.

O Haddad tem como principal tarefa varrer a cela do lula e limpar a sua privada.

O dono do puteiro, Temer, sempre escondido na sala dos fundos, cochichando com gente estranha.

 

Não estou gostando dessa matinê. Queria ir para outro cinema, mas a passagem para NY está cara e meu dinheiro acabou. Tudo bem. Talvez no próximo domingo, venha a passar um novo filme. E então, quem sabe, os velhos tempos vão voltar.

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