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Re-União 2017

Sinais inquietantes

September 25, 2018

 

Faz tempo que eu acho que a melhor pesquisa quem faz é o repórter, esse estranho personagem que passa as 24 horas do dia debruçado sobre informações.

Coleciono alguns exemplos para demonstrar isso: o melhor deles ocorreu em 1987 durante a campanha que elegeu a então petista Luíza Erundina à prefeitura de São Paulo.

Nessa época, eu trabalhava na Agência Estado e fora colocado como coordenador da cobertura das eleições pela vasta rede de sucursais e correspondentes dos jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde.

O PT então estava muito forte no Rio Grande do Sul, estado que abrigava a sede do diretório nacional do partido. Tive a ideia de trazer o chefe da Sucursal da Agência em Porto Alegre, Elmar Bones, um dos melhores repórteres do Brasil, pra passar uma semana em São Paulo com a missão de produzir uma reportagem que antecipasse o resultado das eleições que eram disputadas em segundo turno entre Paulo Maluf e Luíza Erundina.

A 30 dias das eleições, todas as pesquisas indicavam que Maluf já tomara uma dianteira grande e era tido como o novo prefeito de São Paulo.

UM REPÓRTER EM AÇÃO
Elmar Bones só usou o hotel pra dormir algumas poucas horas. E eu mesmo fui testemunha de seus deslocamentos frenéticos pela gigantesca malha de São Paulo. Ao cabo de cinco dias, se tanto, entregou-me um texto primoroso que começava – nunca me esqueci - com uma frase do Zé Dirceu: “Sinto cheiro de Fortaleza em São Paulo!”

Alguns anos antes, Fortaleza, no Ceará, fora palco da primeira vitória petista na disputa de uma prefeitura de capital. Eu que fora o primeiro leitor de Elmar Bones fui transformado no arauto de uma notícia que despertava incredulidades exaltadas: a previsão do repórter Elmar Bones, um insulto à base científica dos institutos de pesquisa, se confirmou – Luíza Erundina bateu Paulo Maluf por uma diferença nada desprezível.

UM PODER DESPREZADO
Esse poder extraordinário dos repórteres nunca foi muito apreciado pelo comando de jornais e revistas. Lembro-me do meu amigo Hélio Teixeira (falecido em 2015) que uma vez, ocupando cargo importante na estrutura da redação da revista Veja, inventou de falar a um jornal do RJ que acreditava mais nos repórteres que nos institutos de pesquisa. Caiu em desgraça na revista e dali a poucos meses foi demitido.

Eu mesmo, durante a campanha municipal de 2003, dei um susto num empresário da construção civil de Campinas (Franklin Gingler) ao prever, com grande antecedência, a vitória do dr. Hélio sobre Carlos Sampaio. Eu me baseava nas observações de repórter que eu sempre fui e também na qualidade dos programas eleitorais de ambos os candidatos: “Se isto acontecer eu me mudo da Campinas”, reagiu o incrédulo Franklin Gingler ao que eu arrematei: “Pode preparar a mudança!”

E foi dito e feito: Carlos Sampaio levou uma surra que deve tê-lo tirado do eixo...nunca mais se candidatou a prefeito....

REDES SOCIAIS
Numa eleição nacional, como essa presidencial de 2018, é tudo mais difícil...Mas, hoje, 24-09, eu seria capaz de apostar uma garrafa de um bom vinho como Jair Bolsonaro deve vencer em 1º turno.

Há sinais dessa possibilidade em toda parte....a desidratação dos adversários embaixo (Marina na semana passada e Ciro nesta); o avanço demasiadamente lento de Fernando Haddad, de quem se esperava uma explosão tão logo fosse anunciado o apoio de Lula; o aumento explosivo da rejeição de Haddad, o que pra mim é o melhor indicador de que se formou uma onda de voto útil contra o PT e a favor de Bolsonaro dando ao pleito um caráter plebiscitário.

Pelas redes sociais já percebia que o caudal pró Bolsonaro só aumentava em toda parte e o candidato era recebido por multidões em qualquer biboca que visitava até o atentado. Com a já prolongada hospitalização, é possível perceber que as manifestações de apoio que o candidato tem recebido nos mais inusitados lugares fazem jus à frase postada há pouco tempo na Web: “Faca, quando não mata, elege!”

QUEM DISSE QUE MULHER NÃO VOTA NELE
Para completar o cenário que observo conto que hoje pela manhã recebi um telefonema do meu amigo João Calisto da Silva. Ele trabalhou comigo no Jornal Gazeta Mercantil. Era o responsável pela administração da unidade da Gazeta que eu dirigi em Campinas. Fazia já vários anos que eu não o via e nem sabia que caminho tomara com a falência da Gazeta Mercantil...

Pelo telefonema, descubro que a falência da Gazeta ensinou a ele o caminho do céu: Calisto é hoje pastor evangélico e está baseado em Marília (SP). Falamos de tudo e, por último, sobre política:

- Se depender de Marília, não haverá segundo turno! E essa história que mulher não vota em Bolsonaro é tudo bobagem...digo que aqui em Marília ele terá mais voto delas do que dos homens...até minha mulher que nunca se interessou por política disse que vai votar nele!

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